CUVI diz que o Algarve bateu «mais um recorde bastante negro» de acidentes em 2017

A Comissão de Utentes da Via do Infante (CUVI) fez as contas à sinistralidade rodoviária na região em 2017, que justificam mais uma marcha lenta de viaturas pela EN125, no próximo sábado, 20 de janeiro, entre Portimão e Lagos, com partida pelas 16 horas do Parque de Feiras de Portimão (junto ao Pavilhão Arena).

O ano passado bateu «mais um recorde, bastante negro. De acordo com elementos fornecidos pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) ao longo deste ano ocorreram na região 10752 acidentes de viação, com 30 vítimas mortais e 192 feridos graves. São mais 511 acidentes do que em 2016 (com 10241 acidentes, 32 mortos e 162 feridos graves), e mais 1262 do que em 2015 (com 9490 acidentes, 37 mortos e 167 feridos graves)».

Embora o número de vítimas mortais tenha diminuído nos últimos dois anos, a CUVI lamenta que «os feridos graves e acidentes aumentaram. É preciso ter em conta que os dados incluem apenas os óbitos que tiveram lugar no local do acidente ou durante o transporte até à unidade de saúde, o que significa que as vítimas mortais podem aumentar», lê-se na nota enviada hoje, 7 de janeiro, à comunicação social.

Analisando com mais detalhe os elementos, constata-se que o Algarve figura em quarto lugar a nível nacional quanto ao número de acidentes rodoviários, apenas ultrapassado por Lisboa com 26698, Porto com 23606 e Braga com 10980 acidentes. Quanto a feridos graves, a região algarvia aparece em segundo lugar, logo a seguir a Lisboa com 311. Relativamente às vítimas mortais, o distrito de Faro aparece na sexta posição, a par de Braga e de Coimbra».

Para a CUVI estes são «acontecimentos muito preocupantes e trágicos que ocorrem nas estradas algarvias, em particular na EN125, uma rua urbana transformada num verdadeiro cemitério, numa autêntica estrada da morte, após a introdução das portagens na Via do Infante no final de 2011».

A Comissão de Utentes da Via do Infante «reprova com veemência os recentes aumentos verificados em alguns troços da Via do Infante. Embora os aumentos incidam apenas nos troços entre Tavira e Castro Marim, entre Boliqueime e Loulé e entre Mexilhoeira Grande e Alvor, são aumentos muito negativos e errados para a região. Além de contribuírem para o agravamento da sinistralidade rodoviária, pois muitos condutores vão enveredar pela congestionada EN125, fazem aumentar as dificuldades para utentes e empresas».

«É preciso não esquecer que o Partido Socialista (PS) prometeu reduzir o preço das portagens na A22 em 50 por cento. Mas o que tivemos foi uma redução de apenas 15 por cento e dois aumentos, nos inícios de 2017 e 2018. As portagens nesta via continuam a ser das mais caras a nível nacional. Mais uma vez o PS voltou a enganar o Algarve», sublinha a CUVI em nota de imprensa.

«Os deputados e governantes do anterior governo PSD/CDS e do atual governo PS são os verdadeiros responsáveis pela continuação do sangrento estado de guerra não declarado que se continua a viver no Algarve, a principal região turística do país. Todos sabem que a EN125 não representa qualquer alternativa à Via do Infante, que é uma via muito mortífera, que numa parte ainda nem começou a requalificação (entre Vila Real de Santo António e Olhão), e que na outra parte (na zona do Barlavento) as obras continuam e que a sua requalificação apresenta erros técnicos, potenciando assim os acidentes, e nada fazem para acabar com umas portagens erradas e mortais».

Pelo contrário, «inviabilizam todas as propostas para eliminar as portagens apresentadas na Assembleia da República por outras forças políticas, as últimas ocorridas na discussão do Orçamento de Estado para 2018. Perdeu-se assim mais uma grande oportunidade para corrigir um erro crasso que continua a vigorar no Algarve».

A CUVI volta a insistir que «a principal responsabilidade, na atual conjuntura política, cabe ao governo atual, ao seu Primeiro-Ministro e aos deputados do PS. António Costa, antes das eleições legislativas de 2015 admitiu levantar as portagens na A22, reconhecendo que a EN125 era um cemitério. António Costa e o PS devem cumprir, quanto antes, as promessas que fizeram ao Algarve. Será que o atual governo e o PS estão reféns dos fortes interesses económicos, ruinosos, que envolvem a obscura PPP da Via do Infante? É o que parece, pois persistem em manter umas portagens erradas, injustas e arbitrárias e que tantas vidas têm destroçado».

A luta é para continuar, pelo que a Comissão de Utentes da Via do Infante vai prosseguir a luta com diversas iniciativas para acabar com as portagens no Algarve, incluindo a luta de rua.

Assim, este movimento vai exortar as diferentes forças políticas a apresentar no Parlamento novas propostas para abolir as portagens; reunir com diversas entidades políticas, económicas e sociais da região, onde se incluem a AMAL, Região de Turismo, ACRAL e NERA, e pedir audiências ao Primeiro-Ministro e ao Presidente da República para reunir com uma delegação alargada abrangendo elementos da CUVI, empresários, autarcas e outras entidades do Algarve. Novas ações de rua irão ter lugar nos próximos meses.

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