CHUA nega «situações de disfuncionalidade no Serviço de Urgência da Unidade de Faro»

Um conjunto de imagens alegadamente das urgências da Unidade de Faro do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA) tornaram-se virais na rede social facebook, alegadamente publicadas ontem, 6 de janeiro, por «um grupo de enfermeiros» que se intitularam como profissionais daquela instituição.

Os autores da publicação, que terá sido enviada a alguns órgãos de comunicação social (o «barlavento» nada recebeu) pretenderam denunciar que o serviço de urgência de Faro tem «uma média de utentes muitas vezes superior a 60, podendo, inclusive, ultrapassar os 80 doentes numa sala com capacidade para 24. O rácio de enfermeiros nunca é ajustado».

«Convém não esquecer que, para além das horas de espera pelo atendimento médico que tanto sensacionalismo causa nos telejornais, existe, ainda, uma parte mais escondida do Serviço de Urgência, que são os doente internados em macas durante dias e até semanas. Estes doentes estão submetidos a autênticas torturas, dias e dias».

«Confinados num ambiente altamente contaminado e saturado, é-lhes negada a sua privacidade (são expostos em frente a toda a gente), não tem janelas nem referências do dia/noite (constantemente expostos ao stress e barulho da urgência 24×7 dias/semana). É-lhes negado o direito a serem cuidados e tratados com segurança. O espaço e o rácio a que estão sujeitos não permitem a prestação de cuidados de qualidade e são um caldo do erro. É-lhes negada dignidade. É-lhes negado direito a comer (muitos não comem apenas porque não tem quem lhes dê comida). Muitos morrem sozinhos», segundo se lê na publicação do «grupo de enfermeiros».

O «barlavento» fez vários esforços para contactar e identificar os autores das fotografias e das afirmações acima transcritas, sem sucesso.

No entanto, dado o impacto mediático das imagens, e «na sequência de um comunicado enviado ontem, de forma anónima e a partir de um e-mail não institucional, à imprensa denunciando alegadas situações de disfuncionalidade no Serviço de Urgência da Unidade de Faro», o Conselho de Administração do CHUA viu-se obrigado a emitir hoje um comunicado a desmentir a situação.

« O Conselho de Administração não recebeu formalmente o referido documento, tendo apenas obtido conhecimento do mesmo através da comunicação social. Em nenhum momento, a denominada equipa de enfermagem, contactou através da sua chefia os atuais membros do conselho de Administração no sentido de expor as situações referidas», esclarece o Conselho de Administração do CHUA.

A publicação que entretanto se tornou viral, «cita, e tem como base, uma informação endereçada em julho de 2017 à anterior administração, uma vez que à data do referido documento esta administração ainda não tinha tomado posse. O atual Conselho de Administração tem vindo a trabalhar de uma forma responsável, séria e em permanente diálogo com todos os profissionais no sentido de colmatar e resolver alguns dos principais constrangimentos sobejamente conhecidos, sendo esse aliás o principal objetivo da administração».

Para o CUHA, «os factos descritos, ilustrados com fotografias claramente de outra altura do ano, em nada se coadunam com a situação vivenciada nestes últimos meses, sendo por isso falsos no que respeita à falta de material, à alimentação dos utentes ou ainda que respeita à organização do próprio serviço, que apesar das dificuldades provocadas pelos picos de afluência às urgências, consegue dar respostas de qualidade às situações clínicas dos nossos utentes, graças ao empenho de todos os seus profissionais».
O Conselho de Administração do CHUA «estranha ainda o timming de envio do referido comunicado para a imprensa por parte da equipa de enfermagem que subscreve o documento, no qual o seu enfermeiro-chefe do serviço de urgência não se revê, isto numa altura em que o hospital tem conseguido dar resposta de forma positiva ao pico de afluência, de acordo com os tempos de espera expectáveis para este período de pico da atividade gripal e quando o dispositivo de contingência regional foi acionado com aumento de camas de internamento, alargamento dos horários dos centros de saúde e reforço das equipas».

Considera, por isso, a administração do Centro Hospitalar Universitário do Algarve «que este documento, com referência a situações datadas de julho de 2017, enviado nesta época de elevada procura aos serviços, na qual todos deveríamos estar concentrados, em nada contribui para o normal desempenho das urgências hospitalares e para a confiança dos utentes no trabalho dos profissionais de saúde».

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