Centro Escolar do Pontal abre portas ao futuro com nova sala digital

Softwares específicos, mobiliário modelar e até robots programáveis são alguns dos recursos a iniciar os alunos do pré-escolar e primeiro ciclo nas disciplinas da era digital já a partir de outubro. Sala do Futuro é exemplo prático da flexibilidade curricular nas escolas.

É preciso atravessar o Centro Escolar do Pontal, do Agrupamento de Escolas Poeta António Aleixo (AEPAA), em Portimão, subir ao primeiro piso e chegar a meio de um dos corredores para encontrar uma sala que, à partida, poderia ser como tantas outras. Na verdade, é a grande novidade, com a qual o Agrupamento resolveu brindar os alunos do pré-escolar e do primeiro ciclo do ensino básico no ano letivo que agora se inicia: uma sala do futuro, onde não há limites (ainda que com regras) para a criatividade e para aprender de forma lúdica. É uma das pioneiras na região, senão a primeira, e pretende quebrar barreiras no acesso à tecnologia pelos mais pequenos.

O objetivo até é simples. A escola quer tomar rédeas e preparar os mais pequenos para uma sociedade que vê as novas tecnologias evoluírem quase à velocidade da luz. No mundo de amanhã, surgirão novas profissões associadas à programação, eletrónica e novas tecnologias de informação e comunicação. Compreender como funcionam, pode ser hoje uma chave para o futuro.

Tudo nesta sala apela ao mexer, ao usar (e abusar), à apropriação de equipamentos. É o caso do quadro interativo com diferentes jogos de lógica e de raciocínio, do tapete interativo e das joaninhas robóticas que chamam a atenção com as LEDs e sons, mas que são mais do um brinquedo sofisticado. São uma plataforma de programação.

Na prática, os professores utilizam-nas para apresentar problemas, como o planeamento de um percurso, sendo que as crianças devem programar o robot para resolver as situações. Tomam as decisões e introduzem os comandos que farão a joaninha seguir em frente, virar à esquerda ou à direita, pelo caminho correto.

Esta sala poderá, quem sabe, ter ainda outras aplicações. A ideia que pode avançar é dar aos alunos experiências como entrar contacto via skype com o Jardim Zoológico de Lisboa, para aprender à distância ou até trocar experiências com alunos de outras turmas do país.

O espaço foi equipado com um quadro interativo (instrumento recorrente em todas as salas), mas também com mobiliário de design moderno e modelar. As cadeiras são coloridas e ergonómicas, têm rodas, permitindo mobilidade por todo o espaço. Já as mesas têm uma base triangular, podendo encaixar umas nas outras ou serem usadas de forma isolada. Assim, o trabalho colaborativo e em grupo é estimulado. Até existe um palanque para a apresentação oral dos trabalhos e conclusões a que chegarem, numa prática que também não costuma ser muito usual nestes dois ciclos de ensino.

Há ainda um conjunto de tablets, um computador e um tapete interativo branco, no qual é possível desenhar ou visualizar material pedagógico, incluindo filmes.

No caso da Sala do Futuro, segundo Luís Correia, diretor do AEPAA, há um professor que «ficou o responsável, por articular com os colegas as várias atividades e ter, neste ano inicial, uma dinamização e habituação de uso que consideramos importante, para que depois todos se apropriem dela, do espaço que é deles». Para conseguir os objetivos, o responsável conta com «um conjunto de pessoas na direção, nas quais» tem «o máximo de confiança e que têm ajudado imenso, desenvolvido um ótimo trabalho. Estamos a falar de um Agrupamento com 2850 alunos», contabiliza.

Sala do futuro é investimento a longo prazo

Ao «barlavento» Luís Correia, diretor do AEPAA, revela que a estreia da Sala do Futuro será já em outubro e que este é um investimento a longo prazo, até porque a maioria dos alunos do Centro Escolar do Pontal manter-se-á no Agrupamento ao longo dos vários ciclos de ensino. É uma aposta feita com verbas próprias, em função das prioridades.

«A Câmara Municipal tem um conjunto de protocolos com as escolas e transfere verbas para que sejam geridas pelo Agrupamento. Este assunto foi articulado com a autarquia, desde a primeira hora, a nível da lógica e das vantagens. A sala foi adaptada e equipada, durante o ano letivo anterior, tendo sido o Agrupamento a adquirir o equipamento, num processo gradual, mas a verdade é que algumas das tecnologias, hoje, já não são tão caras como há uns anos. O AEPAA decidiu onde faria o investimento, dentro da tal lógica de que o primeiro ciclo é um momento importante para o futuro, ao longo de toda a escolaridade obrigatória», afirma.

É uma aposta, portanto, na capacitação de novas competências, moldando os alunos a uma nova realidade que muda a cada dia, a uma velocidade acentuada, tendo que estar preparados nos ciclos de estudo para esses dias vindouros, porque se não o forem, eles é que vão pagar o preço de ficar para trás.

Contactada pelo «barlavento» Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão, não tem dúvida que este «é um investimento fantástico, até porque tudo o que for possível investir em verbas para novas tecnologias, novas formas de trabalhar na escola são mais-valias».

Para a autarca, que também é professora de formação e profissão, «tudo o que for possível fazer para captar a atenção e interesse dos jovens é sempre bem vindo, porque estas novas tecnologias envolvem e entusiasmam os nossos jovens. Por outro lado, desenvolve-lhes também uma capacidade de criatividade», afirma.

Uso das novas tecnologias é estratégia bem definida

A Sala do Futuro faz mais sentido, de acordo com Luís Correia, diretor do Agrupamento de Escolas Poeta António Aleixo (AEPAA), em Portimão, no Centro do Pontal, do que na EB 2,3 Dom Martinho Castelo Branco ou na Secundária. Nestes estabelecimentos existe uma «estratégia pensada para o uso das novas tecnologias, que é muito clara», explica. No segundo e terceiro ciclos, os tablets são alternativas na sala de aula, havendo espaço à formação de grupos de trabalho e estudo. Uma Sala do Futuro implica espaço físico e investimento. No caso do Centro Escolar do Pontal há um total de 28 turmas (oito do pré-escolar e 20 do primeiro ciclo), sendo que todas têm horas reservadas para entrar no futuro. Já no caso das outras duas escolas, o número de turmas cresce exponencialmente, até porque este é, a par de Faro, o maior Agrupamento do Algarve. A razão mostra que será mais acessível usar novas tecnologias em ambiente de aula, com normalidade. Por acréscimo, no Secundário, segundo Luís Correia, quase não há um aluno que não tenha hoje um telemóvel, o que deve ser encarado com naturalidade. «Todos têm um smartphone, que no fundo é um computador, devendo este ser visto como uma ferramenta de trabalho atrativa», defende. Isto, para além de todas as salas estarem equipadas com computador, projetores e quadros específicos.

«O que tem que ficar muito claro é que há algo mais importante que as tecnologias, que podem estar lá e não servir para nada. Visitei algumas escolas, cujas condições são muito difíceis, mas que fazem um ótimo trabalho. O que é fundamental é que todos nós, inclusive os responsáveis e os professores, possam encarar estes desafios de forma construtiva, contribuindo para que as âncoras do conhecimento dos alunos estejam sempre muito presentes nas futuras aprendizagens», justifica. A palavra de ordem é inovação, com ou sem tecnologia.

Plano demorou um ano a montar

A sala começou a ser preparada no ano letivo anterior, tendo havido também a formação específica para os professores e surgiu, porque no final de 2016/2017, «as escolas do país foram desafiadas a entrar no projeto de flexibilidade curricular», ao qual o AEPAA se juntou, após os órgãos diretivos analisarem esta opção, conta Luís Correia, diretor do Agrupamento portimonense. Foi então estipulado que o programa seria aplicado nos primeiros anos de cada ciclo do ensino básico (1º ano, 5º ano e 10º ano, este último em duas turmas de línguas e humanidades). A intenção desta medida era «lutar contra um conjunto de dificuldades que as escolas vivem diariamente e que se têm acentuado ao longo dos anos», justifica Luís Correia.

Os alunos hoje têm acesso à Internet, às novas tecnologias e à informação, sendo que «o poder de concentração já não é igual ao de há uns anos. Estas realidades lançam desafios ao papel do professor e da escola», acrescentou. O professor tem que conjugar o papel de transmissor de conhecimentos com o papel de moderador e facilitador das aprendizagens, conciliando o trabalho e o esforço dos alunos com a alegria de aprender.

«A dada altura, o professor será transmissor da informação e noutra será o moderador, o motivador, o indutor, através de processos diferenciados, com ou sem inovação, com inovação com tecnologia ou sem ela», destaca Luís Correia.

O fácil domínio dos equipamentos, pelos mais novos, não tem que ser mau, mas antes canalizado para novas competências. «Estou convencido que esta lógica se generalizará, até porque muitos países já o adotaram, experimentaram e testaram, tendo obtido bons resultados», afirma o responsável. A ideia é manter o mais importante, modernizar quanto baste, sem que substituir tudo seja a opção.

Novo espaço é apenas mais uma das respostas do projeto Crescer

O espaço equipado com novas tecnologias no Centro do Pontal, do Agrupamento portimonense, é apenas mais uma das respostas que a escola dá a nível do projeto Crescer. «Há outras propostas que se integram na flexibilidade no primeiro ano, que se inicia neste ano letivo, segundo, que já se iniciou em 2017/2018, no projeto Crescer. O nosso entendimento é que, muitos dos problemas que temos na educação, derivam de, logo, quando as crianças apresentaram as primeiras dificuldades, estas não terem sido devidamente sinalizadas, acompanhadas e ultrapassadas», considera. O AEPAA acredita que esta situação pode ser menorizada se houver apoio, desde o mais cedo possível. Por isso, há a componente de apoio ao estudo, para que, «quando a criança A ou B tenha dificuldade, no ler, no escrever, no somar, no contar ou noutra área qualquer, a escola a possa ajudar. Temos um professor por cada ano de escolaridade, que trabalha com esses alunos. Os alunos saem da sala, durante determinado tempo e trabalham de forma estruturada e acompanhada de forma a ultrapassar as dificuldades sentidas», descreve.
Em complemento, os professores do Centro Escolar do Pontal são assessorados na educação física, por um colega dessa área que está na Secundária, e na música, com um professor também do AEPAA.
«A escola é constituída por um universo de alunos, com diferentes capacidades, características e competências. Compete-lhe pensar e aplicar as respostas educativas que promovam o sucesso de todos e de cada um. Este é o nosso desafio, exigente e difícil, mas com o empenho de todos é possível vencer», conclui Luís Correia.

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