Campanha radical angaria voluntários para os bombeiros de Albufeira

A oferta é «O Emprego mais difícil do mundo», mas talvez um dos mais nobres ao serviço da comunidade.

Com o objetivo de recrutar novos efetivos e inverter o baixo número de inscrições que se têm verificado, os Bombeiros de Albufeira lançam, entre 15 e 26 de outubro uma campanha inovadora, intitulada «O Emprego mais difícil do mundo».

Da mesma consta um filme realizado por David Venâncio, jovem cineasta de Portimão (da produtora algarvia Screen Inside), rodado em setembro, com a colaboração de toda a corporação.

O comandante Abel Zua dá a voz à locução. Toda a ideia criativa foi desenvolvida pela agência algarvia de publicidade Besta. Ouvido pelo «barlavento», o comandante admite que se trata de uma resposta inovadora a «um problema transversal a todas corporações. Não há um trabalho conseguido no que diz respeito à criação de incentivos.

Considerando o que é exigido no voluntariado, e considerando que hoje as pessoas estão cada vez mais ocupadas muitas das vezes por questões relacionadas com a sua sobrevivência e a necessidade de trabalharem mais intensamente para poder satisfazer necessidades pessoais, profissionais, familiares e da própria vida académica no caso dos jovens, tudo isso deixa pouca margem para o recrutamento» de novos voluntários.

Que se ganha em ser bombeiro? «Essa é que é grande questão. De uma forma geral, a sociedade reconhece o altruísmo, mas a verdade é que não vivemos com isto. Quando falo em compensação, por exemplo, os municípios ou a administração central, deveria criar um pacote de algumas regalias básicas, para aquele que se alista para servir a comunidade. Isto não deixa de ser um serviço público. Neste momento, parece-me que começa a criar-se uma consciência devido aos anos trágicos que temos vivido, sobretudo na região centro e norte. Falo, por exemplo, da isenção de taxas como o IMI, o acesso mais fácil a creches e infantários». Mas mesmo sem nada a receber, «aqueles que se voluntariam na sua natureza, classifico-os de pessoas muito especiais. Temos pouco ou nada para dar, e elas estão disponíveis para dar tudo».

Na campanha «queremos tornar a coisa radicalmente motivante, até com uma certa dose de aventura, para tornar aliciante. Pode-se encontrar aqui muita adrenalina, mas o que sobressai é o serviço em prol dos outros. Não haverá maior honra que servir de uma foram desinteressada», considera Abel Zua.

Classificado como corpo misto, Albufeira tem um quadro com mais de 160 bombeiros, sendo 90 no ativo com funções operacionais, dos quais, 50 são profissionais. «Há a necessidade de assegurar um serviço de emergência. O voluntário surge como complemento à atividade profissional, embora aqui haja uma igualdade de circunstância naquilo que são os processos de formação e instrução».

Agora, podem ser voluntários pessoas até aos 45 anos. «Em Albufeira, consideramos como mínimo aceitável um piquete de 15 em 15 dias que tem 12 horas de permanência no quartel. Estamos a falar de 24 horas de piquetes. Mas há um processo de formação regular que são pelo menos 15 horas num mês (três horas em pós-laboral), portanto 39 horas de permanência obrigatória».

A campanha conta com um evento público no dia 20 de outubro, sábado, entre as 8h30 e as 12h00 , no relvado em frente ao quartel dos BVA. Decorrerão provas entre associações do concelho, desafios abertos ao público em geral e famílias e ainda um pequeno-almoço fitness.

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