Camélias enfeitaram Monchique

Centenas de visitantes quiseram ver de perto o colorido destas flores. Autarca satisfeito com o evento.

O Festival das Camélias tem vindo a ganhar nome e já leva muitos visitantes à serra para aproveitar um fim de semana à descoberta das variadas espécies desta flor. A contar já com três edições, a Câmara Municipal de Monchique tem vindo a apostar em atividades paralelas em torno deste património cultural. Por isso, houve concerto de jazz, mini–espetáculos de teatro e uma ilustradora ao vivo que cativaram aqueles que resolveram ir àquela vila no fim de semana de 18 e 19 de fevereiro.

«Monchique passou a estar na rota dos festivais das camélias no país e penso que, modéstia à parte, não fica atrás de nenhum outro. Até porque, temos tido o cuidado de convidar a comunidade local, os artesãos, as pastelarias, a produzir peças de propósito para este evento», afirmou Rui André, presidente da Câmara Municipal de Monchique. Ou seja, além de ver as flores ao vivo, tudo o que existe no espaço é alusivo às camélias. As pastelarias «Ana Maria» e «Doce & Arte» montaram duas bancas com bolos feitos de propósito. Também as associações de artistas plásticos e artesãos de Monchique criaram bonecas de renda, pegas de cozinha, colares, brincos, pulseiras, anéis, velas e bolsas de cheiro, além da doçaria regional, do licor do convento, com tampa em forma de camélia, peças em barros como jarras.

Durante os dois dias, o espaço foi pautado por outros momentos de animação, como um pequeno teatro pela Moliére Produções, a ilustração ao vivo por Selma Pimentel, com recurso a aguarelas e guache com possibilidade de fazer retratos na hora.

No entanto, a novidade deste ano, que permanecerá como uma espécie de espólio, foi a inauguração de um jardim dedicado às camélias, entre a rotunda do Parque de São Sebastião e a rua que dá acesso ao Centro de Apoio a Idosos.

«Este evento é, para nós, uma referência e vai continuar a ser. Não queremos que aconteça apenas uma vez por ano. Queremos que as pessoas vão valorizando este importante elemento da nossa cultura, da nossa natureza e, por isso, inauguramos, ainda que esteja por terminar, um pequeno jardim só com camélias num espaço que estava subaproveitado», resumiu Rui André, que ajudou a plantar alguns dos melhores exemplares de Portugal. Algumas delas são das mais antigas e são oriundas de coleções particulares.

Numa apresentação muito informal, Jorge Garrido, um dos autores do livro «Como cuidar das minhas camélias» enalteceu o ambiente familiar do evento, onde todos parecem ser família.
Aliás, Jorge Garrido sublinhou também a diligência do presidente da Câmara Municipal de Monchique em ajudar, apoiar e divulgar os eventos deste concelho serrano. «Ele consegue repor Monchique no mapa e é um autarca como há poucos», opinou.

Quanto ao livro, Jorge Garrido explicou que foi elaborado em parceria com António Assunção, um viveirista e «grande criador de camélias». A obra surge a partir do pedido de muitas pessoas que queriam algo mais prático. «Então juntamos esse conceito pragmático a fotografias e à modernidade. Colocamos na capa uma fotografia de camélia de flor amarela, que tem também outra caraterística muito especial», diferenciou. O pico de floração acontece na primavera e verão, contrariando o conceito antigo de que estas flores desabrochavam no inverno.

É algo que, segundo o autor, está ultrapassado, «porque hoje há camélias durante todos os meses do ano», assegurou. «Outra coisa que fizemos foi selecionar 50 camélias das clássicas, na maioria portuguesas, e depois outras tantas mais recentes, que correspondem a espécies diferentes», assinalou.

O livro é valorizado por conter ainda informação apoiada por fotografias, bem como dados sobre o cuidado com as camélias, desde a fertilização, as podas, os envasamentos, as enxertias, das mais tradicionais ou das mais modernas.

A verdade é que no fim de semana, a tenda montada no Parque de São Sebastião e os arredores do evento encheram-se de turistas, residentes e habitantes nos concelhos mais próximos, pelo destaque que este tem vindo a ganhar.

«Há três anos ouvia falar em Sintra ou no norte como locais onde havia exposições de camélias. Nessa altura, pensei se seria viável Monchique promover também um evento deste género», começou por explicar Rui André. O edil decidiu ir a Sintra a um dos festivais, observar, recolher informações e perceber como funcionava. Foi apenas o primeiro passo.

No entanto, ao contrário de outros municípios, Rui André optou por convidar, em vez de viveiristas ou colecionadores destas espécies, os residentes no concelho serrano para que exibissem as suas camélias.

«Foi uma surpresa, mas a reação das pessoas foi muito positiva. O facto é que isto é uma parte importante da nossa cultura, do nosso património», valorizou. O festival será para continuar, por isso, quem não teve oportunidade de ver, poderá fazê-lo para o ano, na quarta edição do evento.

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