Cabaret francês abre às portas da serra

Jovem empresário francês renovou o restaurante «Portal da Serra». Serve jantares com espetáculo de música, dança, comédia e um toque gourmet.

Não é um cabaret no sentido mais lato, mas também não é apenas mais um restaurante. O conceito do renovado «Portal da Serra» é proporcionar uma experiência, ou melhor, um jantar servido com um espetáculo ao vivo, no qual quem está à mesa é desafiado a interagir com os artistas.

Outrora um espaço conhecido no limite do concelho Portimão, na estrada para Monchique, o «Portal da Serra» estava fechado há algum tempo, mas, ainda assim, mostrou potencial para atrair François Pluvinage, um jovem empresário francês de 30 anos, que se apaixonou pelo Algarve, quando visitou a região em férias. Gostou da cidade, viu o que existia na zona e constatou que havia uma lacuna, pois não há outra proposta de jantar e espetáculo no formato que decidiu implementar.

«Quero que as pessoas entrem aqui, desfrutem do jantar e do espetáculo e que saiam com um grande sorriso», disse ao «barlavento». A abertura oficial foi a 11 de março. Para que não haja transtornos, o cliente deve chegar às 19h30, pois a partir do momento em que o espetáculo tem início e as refeições começam a ser servidas, não há lugar para interrupções. Por isso, é também necessário reservar com antecedência o jantar. «Funcionamos quase sempre com reservas», pois é um show longo, de 3h30, e não queremos pessoas a entrar a meio», justificou.

O «Portal da Serra» é agora palco para uma viagem a Paris, Londres e Lisboa. Em diferentes momentos, vão subindo à cena os sete artistas da casa. O paladar é temperado com canções conhecidas de artistas como Cesária Évora ou Prince, mas também há dança do ventre, fado e comédia. «Eu quis montar um espetáculo internacional e familiar, que chegasse a todos.

A dificuldade é que temos clientes portugueses, italianos, franceses, ingleses, espanhóis…», referiu François Pluvinage, que acredita, porém, que o esforço deu um resultado ótimo.

«Esta questão da proximidade com o público é muito importante. Somos todos partes diferentes que se complementam», considerou. E até François, que além de ser empresário e servir as bebidas no bar, participa no show. Enquanto decorre todo o espetáculo na sala e os clientes saboreiam a refeição, na cozinha, quatro pessoas garantem a confeção dos pratos e três servem à mesa. Na receção está o maître do restaurante e junto à entrada da sala há um técnico responsável pelo som e jogo de luzes.

São mais de uma dezena de postos de trabalho criados, sendo que a maioria são pessoas daquela zona do Algarve. Há pouco mais de dois meses não se conheciam, mas hoje são uma equipa unida, quase como uma família. Aliás, François conta com o suporte dos familiares neste projeto. Se não houvesse esta união seria complicado e o empresário explica porquê.

«A cozinha está integrada no espetáculo», destaca em francês. «Quando os pratos são servidos é criado um ambiente de atuação um pouco mais tranquilo. É muito difícil equilibrar e conseguir conciliar, de modo a que tenhamos tudo pronto no momento certo», referiu. Há, por isso, que improvisar, caso haja um contratempo.

«O espetáculo é sempre o mesmo, mas nunca é o mesmo», justificou. Já a ementa muda a cada quinze dias, utilizando a cozinha portuguesa com um toque do sabor francês. O menu pode ser consultado no website, embora haja flexibilidade de adaptar às necessidades dos clientes, por exemplo, no caso de haver alguma restrição alimentar, desde que o pedido seja feito com a devida antecedência. François Pluvinage explicou ainda que é possível adaptar o restaurante e o espetáculo a um determinado evento, «como uma festa de aniversário, jantares de empresa».

O jovem empreendedor não vê o investimento como um risco, até porque é algo que desejava realizar na região. Ainda que queira chegar aos turistas, «o foco é também os residentes», destacou.

«Queremos que as pessoas que vivem cá também venham a este espaço», defendeu. Foram cinco meses de renovações para criar um ambiente diferente, que remete para a imagem de um cabaret, mas também para encontrar soluções a nível de logística. Por exemplo, ao «barlavento» François Pluvinage mostrou que, no piso inferior, há uma zona de camarins e um local onde os artistas e staff fazem as suas refeições.

«Temos uma televisão que mostra o que se está a passar no palco e também fizemos um túnel interior, com uma escada até ao palco, para os artistas saírem e entrarem sem terem que atravessar a sala», resumiu. A verdade é que o empresário pensou em tudo e até quando os clientes chegam à entrada são recebidos como se de estrelas se tratassem.

Com direito a passadeira vermelha e uma zona de fotografias. Para já, o espaço funciona de quinta-feira a domingo. As reservas podem ser efetuadas através do website em www.portaldaserra.pt

Em maio será ainda aberto um outro espaço que deverá funcionar como teatro. A intenção do jovem é ter artistas que fazem «prestações únicas», explicou ao «barlavento». Ou seja, criando rotatividade.

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