Britânicos aprendem a voar autogiros em Lagos

Nos céus do Barlavento algarvio, por vezes, voa uma aeronave que, à primeira vista, parece um pequeno helicóptero de cabine aberta. Trata-se de um autogiro (gyrocopter). Apesar das semelhanças no funcionamento aerodinâmico, é uma máquina muito diferente, fácil de voar, económica e que está a conquistar o mundo da aviação desportiva e de lazer na Europa. Neste contexto, o Algarve tem uma palavra a dizer.

Kevin Robinson, um britânico de 55 anos de idade, com mais de 30 a voar, dá instrução no aeródromo de Lagos. Antigo piloto militar de helicópteros, passou mais tarde na sua carreira a voar aviões de asa fixa. Há cerca de 20 anos interessou-se pelos autogiros. Comprou um kit e montou um aparelho monolugar que lhe abriu novos horizontes. Tornou-se instrutor de voo, mais tarde, certificou-se para formar novos instrutores e examinador neste tipo de aparelhos.   «Há cerca de 15 anos, o governo inglês decidiu legislar este tipo de aeronave ultraleve e, por essa altura, os alemães e os italianos começaram a fabricar aparelhos de dois lugares, muito seguros e bem desenhados. O incremento foi incrível, pois não havia mais de uma vintena de pilotos em Inglaterra e os alemães já venderam mais de 2500 aparelhos. Os italianos, entretanto, já venderam cerca de um milhar para todo o mundo», diz Kevin Robinson, acerca do interesse da comunidade aeronáutica.

«Assim, isto evoluiu de desporto incipiente para algo em grande expansão, e viajo pelo mundo para ensinar os muitos interessados em pilotar autogiros. No ano passado, estive no Dubai durante cinco meses, onde trabalhei com o príncipe herdeiro. Ajudei a iniciar uma operação turística. No ano antes, estive em África, onde dei instrução às patrulhas que combatem a caça clandestina e furtiva em áreas protegidas. Também estive na Índia, onde demonstrei o potencial deste aparelho ao ministro da Defesa, na Turquia. É uma atividade em crescimento», considera.  E porquê? Um autogiro no mercado aeronáutico europeu custa cerca de 80 mil euros e no ar, atinge uma velocidade de 140 Km/hora com facilidade. Em média, a autonomia de voo a ronda as quatro horas.

Segundo Kevin Robinson, o curso dura um mínimo de 40 horas de instrução, tendo os seus alunos estrangeiros, por norma, mais de 50 primaveras, com muitos sexagenários interessados. Lagos é um dos poucos aeródromos licenciados em Portugal para o ensino e operação deste tipo de máquinas. Durante grande parte do ano, o Sotavento algarvio oferece boas condições para voar, com boa visibilidade e ventos favoráveis. Aqui é possível fazer a instrução para se obter o brevet britânico, que é válido em praticamente qualquer parte do mundo.

Como funciona um autogiro? O sistema de propulsão usado nestes aparelhos foi inventado em 1930 pelo espanhol Juan de la Cierva. Baseia-se no princípio do giroscópio, dispositivo de referência espacial (equilíbrio) com vários eixos rotativos que é usado como estabilizador em embarcações, aviões e até em máquinas fotográficas e consolas de jogos.  Ao contrário de um helicóptero, o rotor principal que serve de asa (rotativa) não é alimentado pelo motor principal. A função do motor é impulsionar uma hélice, colocada na cauda do aparelho, que puxa aparelho para a frente, até atingir uma velocidade que faz com que o rotor gere sustentação.

Se por (des)ventura «motor parar, o autogiro não cai. Perderá altitude de forma gradual, como uma aeronave de asa fixa, devido à menor rotação do rotor principal, dando tempo suficiente para procurar um local seguro para aterrar», explica Kevin Robinson. Ou seja, esta é a principal vantagem, mesmo em condições de emergência, estes aparelhos não entram em perda.  Entre outras vantagens em relação ao aviões convencionais ultraleves de asa fixa, este instrutor britânico destaca a mobilidade, segurança e abertura de vistas, que tornam estes aparelhos ideais, por exemplo, para a fotografia aérea.

No Aeródromo Municipal Brigadeiro Costa Franco, em Lagos, Kevin Robinson opera um AutoGyro Europe MT-03, matrícula G-CIEJ, de fabrico alemão, o modelo base para o mercado europeu e norte- -americano, equipado com um motor aeronáutico Rotax de 100 cavalos. Os interessados em experimentar um voo, ou obter mais informações sobre os serviços da «The Gyrocopter Experience» podem contactar diretamente o instrutor através do contacto 915 888 588.

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