A cerca de quatro milhas da Praia da Manta Rota aconteceu o pior: um derrame de 3 milhões de litros de combustível (fuel). Cerca de cinco por cento do total perdido no naufrágio do navio «Prestige» na costa da Galiza, em 2002. Mas este não foi o único cenário de desastre simulado durante o exercício «Atlantic Polex.pt», na quinta-feira, 19 de outubro, ao largo de Vila Real de Santo António.
Ao mesmo tempo, uma embarcação de pesca sofreu um acidente do qual resultou um derrame de 5 mil litros de gasóleo e ferimentos em membros da tripulação, em pleno porto, que precisou da intervenção dos bombeiros. Houve ainda a necessidade de fechar a marina, de recolher poluente no areal de Monte Gordo, onde foi montado o posto de comando móvel e recolher animais arrojados. Foi tudo a fingir, mas as lições aprendidas permitem testar o cumprimento do que está previsto no «Plano Mar Limpo».
«Este exercício serviu para demonstrar o tipo de meios que temos para combater incidentes, quer dentro de uma área portuária, quer com meios junto à costa e oceânicos», explicou aos jornalistas o vice-almirante Luís Sousa Pereira, diretor-geral da Autoridade Marítima Nacional, de quem depende o Serviço de Combate à Poluição no Mar. «Naturalmente que para otimizar a nossa resposta temos material localizado aqui no Departamento Marítimo do Sul que poderá fazer uma primeira intervenção de contenção rápida do incidente, para que uma situação desagradável possa ser contida e minimizada em termos dos seus efeitos, antes que se torne um problema».
Questionado sobre a eventualidade de uma indústria de exploração de hidrocarbonetos ao largo do Algarve vir a ser uma realidade, o responsável sublinhou que tal hipótese nada teve a ver com a realização destas manobras no Sotavento algarvio. «O exercício estava planeado desde o início do ano. Não tem nada a ver com iniciativas de natureza privada ou outras relativas à pesquisa de petróleo. Teve como objetivo juntar uma série de entidades nacionais com quem possamos colaborar, mas também a oportunidade de estarmos aqui no sul, numa zona transfronteiriça, onde podemos operar com a Marinha de Espanha, com quem temos um excelente relacionamento, e também com a Marinha de Marrocos. O que pretendemos é ensaiar a nossa organização, meios e procedimentos, e a nossa resposta em termos regionais», disse ainda.
Apesar de na altura da entrevista não ter ainda assistido ao debriefing e às conclusões, Luís Sousa Pereira manifestou-se «satisfeito» com o que viu. «Tentámos abranger um conjunto diversificado de situações, desde o retirar de animais na praia à limpeza da areia. Vimos como podemos fazer a coordenação de tantas entidades diferentes, pois nestas situações quem tem essa responsabilidade é o capitão de porto. Nenhuma entidade por si só consegue responder a uma situação complexa. E o facto de podermos trabalhar em conjunto, dá-nos uma vantagem e uma eficiência em termos de ação, muito grande», concluiu.
No terreno de operações, todos os derrames foram simulados com pipocas. O exercício contou com a participação dos navios «Monte Anaga» disponibilizado pela Agência Europeia de Segurança Marítima (EMSA) e o «María Zambrano» mobilizado pelo Salvamento Marítimo de Espanha. Foram ainda mobilizados os rebocadores «Lisboa» da Svitzer e «Montemuro» da Rebonave, assim como uma patrulha da classe RaïsBargach da Marinha Real de Marrocos. As lanchas NRP Órion e NRP Cassiopeia da Marinha Portuguesa serviram de navios sinistrados. No céu, esteve um C-295 da Força Aérea Portuguesa e os drones (AR3 e AR4) da TEKEVER.
O plano operacional do exercício pode ser consultado aqui.
