Auditório de Lagoa muda de nome «para se projetar no país» justifica Francisco Martins

Carlos do Carmo será o embaixador do equipamento cultural lagoense, numa homenagem a uma figura de renome que tem defendido a língua portuguesa, a música e a cultura.
Francisco Martins, presidente da Câmara Municipal de Lagoa.

Há quem discorde da opção do executivo camarário de Lagoa de atribuir o nome do músico Carlos do Carmo ao Auditório Municipal. Francisco Martins, presidente da Câmara Municipal de Lagoa, desvaloriza a polémica e justifica porque foi decidido escolher um patrono de exposição nacional e internacional, em vez de um filho da terra.

«Resolvemos prestar uma pequena homenagem ao Carlos do Carmo, porque, para mim, é uma das pessoas que é um referência nacional, bem como um dos maiores defensores e embaixadores da nossa língua, que é algo a que damos grande importância» em Lagoa, defendeu o edil, ouvido pelo «barlavento».

A partir de 28 de abril, às 17h00, o Auditório Municipal de Lagoa passará a denominar-se Auditório Carlos do Carmo. A mudança de denominação dá-se porque, segundo o autarca, é necessário valorizar que Lagoa tem feito uma aposta forte na cultura, sendo um concelho «reconhecido pelos vários agentes a nível nacional, pela qualidade do trabalho executado».

«Nós não encaramos a cultura com a feitura do bailarico e da festarola. Temos feito um trabalho muito sério nessa área. E acho que esta é uma singela homenagem da nossa parte a alguém que efetivamente foi embaixador da nossa língua, da nossa música, da nossa cultura. Alguém premiado internacionalmente e um homem que já foi alvo de várias homenagens a nível nacional, pelo próprio governo, pelos Presidentes da República» Jorge Sampaio e Marcelo Rebelo de Sousa, justificou Francisco Martins.

O fadista Carlos do Carmo foi, de facto, distinguido em 1997 com o grau de Comendador da Ordem do Infante Dom Henrique, pelo Presidente Jorge Sampaio, em 1997, e com a Ordem de Mérito pelo atual Presidente Marcelo Rebelo de Sousa. Em 1998, já tinha ganho um Globo de Ouro de Excelência e Mérito e, em 2002, o Globo de Melhor Disco do Ano, atribuído pela SIC, com o seu trabalho «Nove fados e uma canção de amor». Em 2008, depois de participar no filme «Fados», do realizador espanhol Carlos Saura, viu o «Fado da Saudade» ser distinguido com o Prémio Goya.

Carlos do Carmo.

Aliás, o município de Lisboa atribuiu-lhe em duas ocasiões a Medalha de Mérito da cidade, a última logo após vencer o Grammy Latino de Carreira, entregue em Las Vegas, numa distinção inédita para um artista português.

«É, portanto, uma referência para todos nós. E, obviamente, temos consciência que dando este nome ao Auditório, esta é mais uma forma de afirmação e de projeção do concelho de Lagoa a nível nacional. É esse o nosso grande objetivo», reforçou Francisco Martins.

O autarca considera que Lagoa não pode estar fechada sobre si própria, promovendo-se apenas a nível local. «Durante muito tempo a publicidade era feita só internamente. Aqui todos sabem o que se passa. Há diversas bibliotecas associadas a nomes das letras, numa homenagem que as terras fazem a essas figuras. O evocar desse nome arrasta, muitas vezes, para a lembrança de que esses equipamentos existem», afirmou.

No centro de algumas críticas está o facto de Carlos do Carmo não ter uma ligação profunda ao concelho algarvio. Francisco Martins admitiu que é verdade, porque o cantor «não tem ligação» àquela localidade. No entanto, justificou que «Lagoa é que, neste caso, tem uma ligação à cultura, à língua portuguesa, à música e à arte». Desvalorizando as opiniões contrárias, o autarca exemplificou que não teria lógica «chamar ao Auditório Municipal Cristiano Ronaldo. Isso é que era uma aberração. Teria que ser alguém da cultura. Tendo nós esta visão da projeção para fora desta área territorial e até regional, tínhamos que ter um nome que fosse um marco a nível nacional e tenho a certeza que o Carlos do Carmo o é».

«Basta andarmos pelas ruas e verificarmos a toponímia. Pergunto eu que ligações é que todas estas pessoas tiveram a Lagoa? Temos a Rua Francisco Sá Carneiro e não sei se ele alguma vez veio a Lagoa. Ao lado, há a Mouzinho de Albuquerque, que também não sei se alguma vez veio a Lagoa. Temos uma série de ruas da Primeira República e, certamente, a ligação não existe. Ao longo dos anos, foram sendo feitas essas homenagens a pessoas que, não só não são de Lagoa, como, se calhar, passam despercebidas à grande parte dos lagoenses», exemplificou de novo. E finalizou acrescentando apenas que «não tem que haver uma ligação ao concelho. Lagoa é que se quer ligar a alguém que é uma figura nacional também para projetar o seu nome».

A decisão foi tomada em reunião de Câmara, com os votos favoráveis dos vereadores socialistas e a abstenção dos dois vereadores do Partido Social Democrata, após o convite ter sido feito a 20 de janeiro a Carlos do Carmo, na última deslocação do fadista, quando atuou na gala de aniversário dos 245 anos da Criação do Concelho de Lagoa.

Após a cerimónia de homenagem, no dia 28 de abril, às 21h30, haverá ainda o concerto «As Canções de Carlos do Carmo», com Marco Rodrigues, Cristina Branco, Camané e Paulo de Carvalho, naquele Auditório.

Rua Dr. Ernesto Cabrita será devolvida aos peões

À semelhança do que aconteceu no centro de Lagoa, a Rua Dr. Ernesto Cabrita, situada em frente à Câmara Municipal de Lagoa, passará a ser um espaço para os peões, reduzindo a percentagem para os veículos. Ou seja, se até aqui a via tem sido 70 por cento para a circulação e veículos e 30 por cento para as pessoas, após a intervenção, será o contrário.

Os dois sentidos de circulação automóvel passam apenas a ser possíveis entre a rotunda de acesso a Lagoa e o cruzamento com a Rua Madre Teresa de Saldanha. Entre este ponto e a Rua da Liberdade apenas haverá um sentido único, havendo mais espaço para peões, com mobiliário urbano, zonas verdes, estacionamento e arborização.

Naquele que é um dos maiores investimentos a curto prazo para a Câmara Municipal de Lagoa, na ordem dos 700 mil euros, Francisco Martins, presidente da autarquia avançou que o concurso de requalificação daquela via será lançado «dentro de poucos dias», sendo depois sujeita a visto do Tribunal de Contas. No entanto, a obra apenas deverá começar no início de outubro, para não causar constrangimentos no verão. «No Algarve temos sempre esse problema de nunca termos 12 meses para podermos realizar obras. Entre maio e setembro é uma altura complicadíssima», reforçou Francisco Martins.

«Em frente ao edifício da antiga Câmara Municipal, que passará a ser o Museu, será criada uma praça, bem como frente ao atual edifício da autarquia. Junto à farmácia, o espaço também será intervencionado. A rua será toda endireitada, pois faz já uma barriga», concluiu. A certeza que o autarca tem é que, após a requalificação, aquela rua será um cartão de visita digno, uma vez que é uma das entradas na cidade.

Salão Imobiliário de Lagoa pretende ser mais valia regional

Uma das novidades que Lagoa apresentou para 2018 é a realização de um Salão Imobiliário, naquele que será um evento âncora para o Algarve. Terá lugar entre 7 e 9 de junho, no Centro de Congressos do Arade, no Parchal. «É o primeiro do Algarve. Há um em Lisboa e outro no Porto. A verdade é que a região vive muito do turismo e do imobiliário e considero que não termos um salão era uma lacuna», afirmou Francisco Martins, presidente da Câmara Municipal de Lagoa.

A intenção não é ficar pela exposição local, mas tornar a iniciativa numa mais valia regional e até nacional, afirmando Lagoa, justificou. «Está a correr muito bem em termos de procura e acho que vai ser mais um evento daqueles que vai ficar para o futuro. Vai juntar não só as imobiliárias, mas também os técnicos, arquitetos, engenheiros, gabinetes que trabalham na área e a banca como financiadora desses projetos», avançou Francisco Martins. E não será apenas um espaço de exposição, pois, segundo adiantou o autarca, serão promovidas conferências, estando aberto o recinto a empresas que trabalhem também com o sector, como é o caso, por exemplo, da jardinagem. «Não é um salão imobiliário só para vender e comprar casas, mas para todos os serviços a que lhe estão associados», resumiu.

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