António Costa prometeu atenção aos pescadores da Costa Vicentina

Primeiro-ministro garantiu que as reivindicações das comissões de pescadores serão ouvidas. Defeso do sargo e áreas de interdição são as propostas em cima da mesa.

António Costa, primeiro-ministro, garantiu que iria dar atenção aos problemas com que os pescadores do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV) se deparam. A garantia foi dada a David Rosa, um dos rostos da luta dos pescadores da Costa Vicentina desde que as restrições foram implementadas.

Apesar deste representante destacar, em declarações ao «barlavento», que desde o início muitas «alterações foram realizadas», ainda há pontos que não reúnem o consenso por serem discriminatórias. Por isso, David Rosa, aproveitou a deslocação de António Costa, enquanto secretário-geral do Partido Socialista para apoiar as campanhas autárquicas no Algarve, no sábado, 23 de setembro, para abordar o primeiro-ministro referindo a importância da resolução desta situação e apelando à atenção para o que as comissões consideram ainda ser necessário alterar.

A defesa do sargo é um dos pontos de descontentamento, pois não podem apanhar esta espécie entre 1 de fevereiro e 15 de março, se estiverem a praticar pesca apeada. No entanto, caso seja embarcada, a medida já não se aplica, o que para estes pescadores é uma ação discriminatória.

Neste caso, foi realizada uma promessa em abril pelo secretário de Estado das Pescas José Apolinário e pela secretária de Estado do Ambiente e Ordenamento do Território Célia Ramos, numa reunião em Aljezur. Na altura, foi apresentado às comissões um esboço para alteração da portaria por parte de José Apolinário, que revogava esta medida. Quatro meses depois, a secretária de Estado do Ambiente deu um parecer negativo à alteração. Segundo David Rosa, representante das Comissões Pescadores População da Costa Portuguesa, os praticantes «sentem-se enganados». E a situação mantém-se, pois até à data os representantes que se reuniram com os pescadores não acertaram as agulhas e relação a esta promessa.

Outra das medidas que tem causado algum incómodo é a proibição de pescar em determinadas zonas do PNSACV, delimitadas como zonas de restrição parcial, uma por cada um dos concelhos (Vila do Bispo, Aljezur, Odemira e Sines), em área com extensão de três quilómetros. O facto de nunca terem tido acesso a estudos de monitorização da implementação destas medidas e de haver uma discriminação, faz com que os pescadores vejam com desconfiança estas opções tomadas há alguns anos. «Não entendemos porque um pescador à cana não pode pescar o sargo, que apanha em pequenas quantidades, e um de barco, lúdico ou profissional, pode sem restrições», lamentou. Foram estas preocupações que David Rosa fez passar ao primeiro-ministro, em Lagos. O governante assegurou que iria ter em atenção estas reivindicações, de modo a tentar que o problema fosse resolvido pelas tutelas.

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