AMAL aposta em plataformas inteligentes para a gestão coletiva da região

Combater burocracias e «papeladas», centralizar informações através de uma gestão mais inteligente dos transportes e eventos que as várias entidades organizam em toda a região, tornando essa e outra informação de fácil e rápido acesso é o objetivo da Comunidade Intermunicipal do Algarve.

A Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL-CI) tem, neste momento, duas grandes prioridades. Por um lado, o programa «Mobilidade Mais Inteligente», por outro o «Algarve Mais Digital». O primeiro deverá ser apresentado até 18 de maio, segundo referiu ao «barlavento», o responsável Miguel Freitas.

Será «um sistema de informação ao público, que esperamos ter pronto e acessível dentro de um ano», estimou. Este projeto procura integrar o tráfego aeroportuário, os horários dos comboios e das várias soluções rodoviárias municipais de transportes num único interface. «Queremos que qualquer pessoa que chegue à região tenha uma boa fonte de informação sobre os transportes disponíveis e como se combinam» entre si, de forma imediata no telemóvel.

Em abril, a AMAL-CI avançará com «uma aplicação (app), no sentido de haver uma conetividade com as pessoas que usam o transporte público. Depois, iremos trabalhar uma outra aplicação no sentido de dar uma boa informação cruzada com todos os sistemas de transportes que existem na região», avançou. O projeto faz parte dos Planos de Ação de Mobilidade Urbana Sustentável, na sua componente de transporte público.

Já o projeto «Algarve Mais Digital» orçado em aproximadamente 2,2 milhões de euros, tem como objetivo «fazer a reengenharia de processos ao nível de todos os municípios» para que «os cidadãos que se dirigem a diferentes câmaras municipais tenham o mesmo tipo de regras para aceder aos serviços públicos», explica. Um protocolo possível de implementar de igual forma nas 16 autarquias algarvias. «Pretendemos harmonizar e aproximar, aquilo que são os procedimentos internos» comuns.

Ambiciosa é a «componente de desmaterialização» de papelada burocrática para o cidadão, embora hoje, isso já esteja implementado em Loulé e Portimão. «São as duas únicas autarquias na região com digitalizadores próprios. A ideia é que a prazo possamos ter municípios sem papel e modernizar os serviços municipais da região através da digitalização. Sentimos que há municípios que vão à frente e outros muito atrás», admitiu Miguel Freitas.

«A nossa prioridade é aproximar» um standard mínimo, transversal e comum em todo o Algarve. A AMAL-CI quer ainda «trabalhar uma gestão de ocorrências integrada. Isto é, implementar um sistema centralizado de informação que permita agir» e responder «em tempo real» a qualquer eventualidade que possa acontecer no território.

No entanto, uma necessidade há muito debatida na região, e para a qual ainda não há solução, é uma ferramenta que possibilite, sobretudo às autarquias enquanto promotores de grandes eventos, partilharem uma ferramenta comum de gestão de eventos. A ideia é que todos possam saber o que o vizinho planeia, de forma a evitar conflito, ou melhor, a gerar dinâmicas de complementaridade.
«Funcionará como fonte de informação aberta», gerida pela AMAL-CI, segundo revelou ao «barlavento» Miguel Freitas.

Contudo o modelo e a forma como tudo chegará ao público, ainda não está fechada. Ou seja, cada município, ou cada agente cultural, poderá desenvolver a sua própria aplicação (app), se assim o desejar. No entanto, a vantagem de «centralizar a informação para que não esteja dispersa» é permitir a todos usarem uma base comum, aberta e transparente «para agendarem as suas iniciativas e atividades». Freitas sublinhou que esta solução «tem de ser vista e assumida como um instrumento regional e para todos, acessível a qualquer entidade pública ou privada».

Lagos desperdiçou plataforma de gestão de ocorrências gratuita

A plataforma «Sinalizarlagos» surgiu em fevereiro de 2016, criada por três jovens lacobrigenses com o intuito de «ajudar a gerir, de uma forma local e interativa, a cidade de Lagos», através de um sistema de ocorrências «no qual os cidadãos podiam sinalizar os locais que requeriam intervenção. As informações seriam encaminhadas para os serviços municipais competentes, dependendo da sua área de intervenção», explicou ao «barlavento» Ruben Marreiros, 28 anos, um dos responsáveis pela ideia.

Marreiros refere que o projeto surgiu como «uma tentativa de ajudar quer os munícipes, quer a Câmara Municipal de Lagos a melhorar o estado do espaço urbano», por vezes, «negligenciado».
Após o lançamento, os responsáveis pela plataforma convidaram «os lacobrigenses e visitantes a experimentar a aplicação, que possuía um mapa interativo» para identificar, de forma fácil, os problemas a precisar de atenção.

Foi um sucesso, com a app a registar grande adesão. Por cada situação reportada, os serviços do município eram avisados via e-mail, não só com os pormenores, mas também com a identificação dos autores de cada reporte.

No entanto, Ruben Marreiros e os colegas lamentam o desinteresse da autarquia. Nunca obtiveram «resposta ou contacto por parte do município, sendo que só uma pequena parte das ocorrências acabaram por ser resolvidas». «A Câmara Municipal de Lagos, por desleixo, decidiu ignorar-nos, assim como muitos dos problemas sinalizados» pela população.

Para manter um controlo sobre a resolução das ocorrências eram enviados questionários automáticos um mês após a sinalização no sentido perceber «se tinha sido resolvida ou não».
A «SinalizarLagos» esteve ativa durante «um período de teste de um ano» para «aferir o sucesso ou não do projeto». No entanto, a fraca recetividade por parte do município acabou por ditar o encerramento e abandono da ideia.

«Uma pena! Fomos pioneiros no Algarve e dos primeiros no país», disse Ruben Marreiros, apesar de ter sido «uma iniciativa de cidadãos a custo zero para o município».

«Infelizmente, apesar da positiva aceitação, e de muitos problemas terem sido sinalizados através da nossa plataforma, a Câmara Municipal de Lagos, por desleixo, decidiu ignorar-nos, assim como muitos dos problemas sinalizados pela população. Acreditamos que a participação ativa e democrática constante (e não apenas no ato das eleições) é importante para a construção de uma sociedade mais justa para todos», frisou. «Ferramentas deste tipo ajudam as autarquias a gerir de uma forma mais eficaz as cidades pelas quais são responsáveis».

Contactada pelo «barlavento», a presidente da Câmara Municipal de Lagos não prestou declarações ao nosso jornal até à hora de fecho desta edição, na terça-feira, 7 de março.

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