Almargem apela a Rui André que dê início a plano de desenvolvimento «exemplar» para Monchique

A Almargem apela ao presidente da Câmara Municipal de Monchique, Rui André, «para que tenha a coragem de iniciar, de imediato, a elaboração de um exemplar plano de desenvolvimento para o futuro do concelho, baseado em atividades sustentáveis», sendo que está disponível «para ajudar neste propósito, em conjunto com outras entidades locais e regionais».

Em comunicado, datado de segunda-feira, 13 de agosto, a associação ambientalista lamenta «mais um incêndio florestal catastrófico, motivo para que as populações e os responsáveis locais reconheçam, de uma vez por todas, que, há décadas, se encontram perigosamente à mercê de diabólicas massas de petróleo verde».

Numa altura em que se estima a perda de «cerca de 27 mil hectares ardidos e dezenas de casas destruídas», a Almargem entende que «se deve apostar em atividades como agricultura e hortofruticultura sustentáveis, agropecuária, pastorícia, apicultura, produção florestal tradicional (sobreiros, castanheiros, medronheiros) e artesanato, além do turismo cultural e de natureza. O ênfase deve ser dado a projetos que permitam criar emprego e, sobretudo, trazer pessoas a viver para o meio rural, em vez de continuar a permitir a proliferação de tristes monoculturas desertificadas».

O incêndio acabou também por destruir «grande parte das rotas de descoberta da natureza, incluindo cerca de 80 quilómetros da Via Algarviana e percursos complementares locais promovidos pela Almargem».

Os ambientalistas manifestam-se solidários com todas as pessoas diretamente afetadas, e louvam «o sacrifício e esforço dos bombeiros e outros operacionais envolvidos. Já as estratégias e planos postos em prática pelos responsáveis da proteção civil têm de ser analisados de forma muito crítica». E avisam que «plantar eucaliptos de forma intensiva e desprotegida em Monchique e na restante serra algarvia deve passar a ser considerada uma atividade perversa e desumana. Dado que se trata de uma região sensível, propostas de novos eucaliptais devem ser previamente avaliadas à luz da atual legislação de impactes ambientais (DL nº 152-B/2017), independentemente da respetiva área».

A Almargem deixa ainda um alerta para «outro grande problema que tem a ver com as centenas de pequenas propriedades semi-abandonadas, onde a limpeza e erradicação dos eucaliptos deve ser realizada de imediato, com compensações adequadas aos respetivos proprietários, pois estas árvores exóticas convivem bem com o fogo, proliferando nos anos seguintes. Tal já foi por diversas vezes dito e sistematicamente ignorado, por exemplo, após o enorme incêndio de 2003 que destruiu mais de 40 mil hectares em Monchique e concelhos vizinhos: o que mudou desde então?».

Chamada de atenção à Aspaflobal

A associação de produtores florestais Aspaflobal foi, segundo a Almargem, «a responsável pela plantação de eucaliptos na zona da Perna da Negra. De sublinhar que esta e grande parte da restante área afetada pelo incêndio está integrada no Sítio PTCON0037 da Rede Natura 2000, onde a preservação da natureza deveria ser uma prioridade por parte das entidades governamentais. Apesar disso, a Aspaflobal não teve qualquer problema em instalar aqui mais um gigantesco barril de petróleo verde, não sendo obrigada a colocar de imediato em prática um plano de gestão e prevenção dessa zona perigosa, limitando-se para esse efeito a apresentar apenas há uns meses atrás uma candidatura a financiamento estatal, a qual, uma vez aprovada, só iria entrar em vigor em 2019».

Assim, «a Aspaflobal e algumas entidades governamentais têm de ser indiciadas como os principais culpados desta catástrofe pois, apesar da argumentação repetidamente propagandeada nestas situações até por reputadas autoridades académicas, algumas delas simpatizantes ou mesmo avençadas pela indústria do papel, a eucaliptização de extensas áreas serranas promove a desertificação humana, diminui a biodiversidade e aumenta exponencialmente o risco de incêndio».

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