Algarve reforça combate a fogos

Entre 1 de julho e 30 de setembro, estarão na região algarvia 30 equipas de vigilância, 17 de vigilância e ataque inicial e 72 de combate, num total de 623 operacionais.

O dispositivo de combate a incêndios no Algarve conta, este ano, com novidades e um reforço de meios para fazer face à época de maior alerta que se avizinha. Foi durante a Feira Internacional de Proteção Civil e Socorro (Algarsafe), em Portimão, na sexta-feira, 25 de maio, que o comandante operacional distrital de Faro Vítor Vaz Pinto, apresentou o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) definido para a região. Desde logo, muda o nome do dispositivo, deixando o DECIF no passado.

Entre as novidades apresentadas, o comandante assegurou que o Algarve conta com mais três Equipas de Intervenção Permanente, nos corpos de bombeiros de Alcoutim, Monchique e Portimão, aumento de Equipas de Combate a Incêndios Florestais e Equipas Logísticas de Apoio ao Combate. Um dos grandes destaques é a constituição de uma Equipa Tática de Empenhamento de Máquinas de Rasto.

Por outro lado, o comandante assinalou ainda a permanência de um Grupo de Ataque Ampliado do Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS) da Guarda Nacional Republicana (GNR), constituído por 30 militares e sete veículos. Estarão ainda em permanência dois helicópteros ligeiros de ataque inicial na região durante todo o ano, sendo ainda antecipado o início da atividade do Centro de Meios Aéreos de Cachopo, esta sexta-feira, 1 de junho. Serão também mais os militares do Exército a reforçar este dispositivo, estando prevista a deslocação de uma equipa para executar ações de vigilância. Assim, além de Castro Marim, Loulé, Monchique, São Brás de Alportel, Silves e Tavira, também Alcoutim assinará este ano um protocolo de cooperação com o Exército Português, havendo agora um total de sete equipas. Também o Instituto de Conservação da Natureza e Floresta (ICNF) terá mais duas equipas de vigilantes.

A Base de Helicópteros em Serviço Permanente, em Loulé, será reforçada por duas equipas. Uma de Reconhecimento e Avaliação de Situação e outra de Análise e Uso do Fogo da Força Especial de Bombeiros. Aljezur, Monchique e São Brás de Alportel terão mais uma Equipa de Sapadores Florestais em cada concelho. Outra das medidas assinaladas foi a abertura, a 7 de maio, dos postos de vigia da rede primária, antecipando assim esta ativação, sendo que estes só serão encerrados a 6 de novembro.

«Durante os níveis de empenhamento 2, 3 e 4, isto é, entre 15 de maio e 15 de outubro, é ativado pelo Centro do Coordenação Operacional Nacional o estado de alerta especial no nível azul, podendo evoluir em função do risco para os níveis seguintes. Nestas situações de elevação do estado de alerta serão adotadas automaticamente diversas medidas operacionais de antecipação, esclareceu Vítor Vaz Pinto.

Sempre que seja declarado o nível de alerta laranja, ou superior, será constituído e pré-posicionado um Grupo de Combate a Incêndios Florestais constituído por bombeiros que não integram o DECIR, serão balanceados mais recursos, de acordo com a avaliação de risco, pré-posicionando as Equipas de Combate a Incêndios em locais estratégicos, de forma a diminuir os tempos de resposta e de chegada ao Teatro de Operações, assegurou ainda o responsável.

Explicando o funcionamento dos despachos, Vítor Vaz Pinto disse que «após o alerta são despachados de imediato pelo Comando Distrital um veículo de combate e um autotanque, dos dois corpos mais próximos do local do incêndio. No período de funcionamento dos meios aéreos, do nascer ao pôr do sol, estando sempre disponível, será sempre despachado um helicóptero de ataque inicial».

Por isso, sempre que a previsão do incêndio evoluir ou que o comandante das operações de socorro assim determine, ou sempre que atingidos os primeiros 90 minutos de incêndio, sem que este tenha sido dominado, inicia-se uma ação integrada de despacho, entre meios de reforço e de recuperação de ataque ampliado», acrescentou.

O nível 4 de empenhamento operacional é o que envolve mais meios e recursos. Por esta razão, entre 1 de julho e 30 de setembro, estarão na região algarvia, por exemplo, 30 equipas de vigilância, 17 de vigilância e ataque inicial, 72 de combate, num total de 623 operacionais. Ao nível da vigilância, e apesar de não estarem em exclusivo no DECIR, haverá seis equipas de Brigada Ambiental da PSP e seis da SEPNA da GNR, no total de 91 elementos, bem como 76 sapadores, enumerou ainda.

Colocando o foco no país, Eduardo Cabrita, ministro da Administração interna, destacou que, na fase máxima, «vamos ultrapassar mais de 10 mil elementos. Queria sobretudo dizer que o que é diferente é a forma de acompanhamento no dia a dia, com novos mecanismos de apoio à decisão que também estão a ser testados, novos mecanismos de alertas às populações, como aqueles que foram testados com notável sucesso no fim de semana passado, através de todas as operadoras de telemóveis nos distritos de Aveiro e Viseu. O que temos é uma flexibilidade nova na gestão do dispositivo», afirmou.

Richard Marques.

Esta será uma resposta que o governante acredita ser essencial, numa altura em que, no fim de semana passado, houve, pela primeira vez, quatro municípios do Sotavento com identificação de risco muito elevado. Também no dia em que o ministro fazia estas afirmações aos jornalistas, durante a Algarsafe, atingiam-se os dois mil incêndios, no mês de maio, mais do que em qualquer um dos últimos cinco anos, entre 2013 e 2017, com valores sempre muito inferiores, disse. Aliás, já na terça-feira, 29 de maio, um incêndio em Monchique, na zona da Ribeira das Canas, mobilizou 157 operacionais, 53 veículos e quatro meios aéreos.

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