Algarve poderá maximizar produção até 2,5 milhões de litros de vinho

A Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA) está a organizar o XI Concurso de Vinhos do Algarve e o II Simpósio Vitivinícola, em parceria com a autarquia de Silves, a 7 de maio. Carlos Gracias, presidente da CVA traça um balanço presente e futuro do vinho algarvio.
Carlos Gracias, presidente da Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA).

O presidente da Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA) tem vindo defender a recuperação da chamada casta negra mole, por considerar que é uma mais-valia num mercado altamente competitivo e saturado de oferta. «Nós tentamos dinamizá-la porque é a nossa casta mais típica e autóctone, pois está confinada ao Algarve. Temos de apostar nesta exclusividade», diz Carlos Gracias. A negra mole «tem uma grande variedade genética, por esse facto é considerada das castas mais antigas do país. Temos de comunicar isto aos nossos turistas. Os produtores têm aderido à produção destes vinhos e já temos quatro a cinco referências. Não há novas plantações, mas há o cuidado de recuperar as existentes que são vinhas velhas, com grande história e heterogeneidade. Isso vai com certeza constituir um grande sucesso», adianta.

A casta negra mole caiu no esquecimento ao longo dos anos. E há uma justificação. «Deixou de ser usada porque não conferia as qualidades que o mercado pedia na altura. Mas hoje, há cada vez mais procura por coisas diferentes. Essa é a tónica que temos que aceitar. Está na altura certa de entrar no mercado com esses vinhos» únicos e diferenciadores, até porque há o factor novidade. Esta casta em particular ainda não é muito conhecida entre os consumidores.

No que toca a novos produtores, Gracias diz que a zona do Barlavento algarvio tem sido a mais procurada. «De forma geral, os investidores têm ocupado explorações vitivinícolas já existentes. Costumo dizer que houve uma transferência do sector cooperativo para o sector privado. O que acontece é que os vitivinicultores que no passado entregavam as suas uvas nas cooperativas têm vindo a ser substituídos por novos projetos privados. Tem sido esse o crescimento e dinamismo». Em 2010 eram cerca de 16 produtores neste momento já são 35.

CVA – Quinta da Tôr

No Sotavento, o destaque é a Casa Santos Lima, na zona de Tavira. «É um grande produtor nacional que se instalou trazendo consigo toda a tecnologia. Também tem dado um grande impulso à região. Gostaríamos que tivessem todas as marcas associadas à região do Algarve, mas isso é uma estratégia comercial» que caberá à empresa.

O papel da CVA é a certificação e controlo da produção de vinhos com denominação de Origem (DO) e Indicação Geográfica(IG), DOP Lagoa, Lagos, Portimão e Tavira, e de vinhos licorosos do Algarve.

«No início da década, do volume total produzido, metade era certificado, e desta, metade era comercializado como vinho Do e IG. Só um quarto é que entrava no mercado como vinho certificado e em garrafa. O resto era desclassificado, entrava como vinho de mesa. Neste momento, 80 por cento da produção do Algarve entra no mercado como vinho certificado com DO e IG. E em volume de garrafas, temos cerca de 1 milhão.»
«Na campanha de 2017/18, tivemos um acréscimo de produção na ordem dos 50 %, com um valor de 1,6 milhões de litros». Na opinião do presidente da CVA, no futuro, com a recuperação das vinhas instaladas e as novas plantações, o Algarve poderá produzir 2,5 milhões de litros por ano.

Valorizar mercado regional deve ser prioridade

Embora tenha melhorado e muito nos últimos anos, a produção vitivinícola algarvia ainda é limitada comparativamente à de outras regiões do país. Por exemplo, «podemos pensar em exportação em pequena escala, para o mercado da saudade, pequenas garrafeiras, e vinho primor para alguma restauração selecionada. Não temos volume para satisfazer até as necessidades a nível nacional. Portanto, o que temos de fazer é valorizar o mercado regional, onde 90 por cento do nosso vinho é produzido e consumido, defender o preço e a exclusividade dos nossos produtos. Esse é o nosso desafio», sublinha Carlos Gracias, Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA). «Antigamente os nossos vinhos tinham dificuldade em entrar no mercado. Neste momento, felizmente, os restaurantes de uma certa categoria já os têm disponíveis e também a grande distribuição tem aberto portas» aos rótulos algarvios.

Melhores vinhos algarvios vão a concurso em Silves dia 7 de maio

Esta será a 11ª edição do Concurso de Vinhos do Algarve, iniciativa que na opinião de Carlos Gracias, continua a fazer sentido. «Temos continuamente batido recordes, quer em número de amostras, quer em participantes e produtores. Este ano, esperamos ter a participação de 19 produtores e cerca de 90 referências de vinho. Ou seja, o que temos a concurso, é mais de 50 por cento do mercado atual», refere.
«Todas as regiões têm um concurso próprio. Faz todo o sentido haver esta iniciativa. As adegas distiguidas poderão sempre fazer uma promoção acrescida por esta via. Se considerarmos que temos 80 referências distinguidas em vários concursos e que temos no conjunto cerca de 170 referências de vinhos, o rácio é significativo», aponta o presidente da Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA).

O XI Concurso de Vinhos do Algarve, organizado pela CVA e com a coordenação técnica dos Escanções de Portugal, vai decorrer no Teatro Gregório Mascarenhas, na segunda-feira, dia 7 de maio, em paralelo ao II Simpósio Vitivinícola, que terá lugar na Biblioteca Municipal de Silves. O júri irá eleger, além do Melhor Vinho do Algarve de 2018, os rótulos que poderão ostentar os títulos de medalha de ouro, prata e bronze. Na edição anterior, foram seis os vinhos que obtiveram a medalha de ouro, e 20 a de prata. O júri não atribuiu medalha de bronze devido à alta qualidade dos produtos apresentados, que, segundo a CVA, obtiveram médias superiores a 84 pontos. A entrega dos prémios deverá ser feita no encerramento dos trabalhos do simpósio, pelo secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural Miguel Freitas.

CVA – Quinta da Tôr

Por outro lado, o II Simpósio Vitivinícola do Algarve está marcado para as 9 horas, no mesmo dia, na Biblioteca Municipal de Silves. Frederico Falcão, presidente do Instituto do Vinho e da Vinha traçará «uma panorâmica geral» sobre o peso do vinho e da vinha em termos nacionais. Franck Saintemarie, do Intermarché de Lagos falará sobre «evolução das vendas e tendência de comercialização dos vinhos do Algarve» naquele ponto de venda. Carlos Oliveira, presidente da Confraria do Bacchus de Albufeira, falará sobre «o papel que as confrarias enófilas devem ter na promoção dos vinhos». Em relação ao enoturismo, Carlos Gracias, presidente da Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA), convidou «uma quinta do Douro, pioneira em serviços de enoturismo, para apresentar um case-study. O que fazem e como fazem, para despertar juntos dos nossos produtores algumas ideias, alguma massa crítica que se possa replicar na região». As inscrições são gratuitas, mas obrigatórias pelo 282 341 393.

Simpósio será bienal

Realizar simpósios todos os anos poderá criar monotonia e declinar a importância que que a Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA) pretende dar-lhes. «Esta periodicidade aconteceu porque tínhamos um projeto, o Algarve Wines and Spirits (SIAC Qualificação) financiado pelo CRESC Algarve/Portugal 2020. Os simpósios eram ações previstas. Esse projeto conferiu-se de grande importância porque permitiu-nos alavancar uma série de iniciativas estruturantes, como o reforço do programa informático para a gestão do processo de certificação dos vinhos. Além disso, criámos um laboratório de enologia para prestação de serviços ao sector. Estimamos que no início de agosto, teremos muito trabalho com a medição de parâmetros como o grau Brix (°Bx) e os açúcares, muito importantes para a determinação da data das vindimas», prevê. Por fim, «concluímos dois estudos. Um sobre a região vitivinícola do Algarve e o seu ADN, e um outro sobre as adegas e quintas da região», ambos a publicar em breve.

Algarve Wines Sunset Summer volta em agosto

No verão passado, a Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA) lançou uma ideia inovadora. Uma carrinha tipo quiosque de comida de rua (street food), devidamente decorada, deu a provar vinhos vinhos algarvios em cinco praias. Segundo o presidente Carlos Gracias, a iniciativa Algarve Wines Sunset «correu muito bem e é para repetir. Tivemos um feedback muito positivo». Este ano, a CVA vai renovar a parceria Algarve Views, agência de animação turística especializada na criação e desenvolvimento de rotas enoturísticas. «A intenção é promover os vinhos do Algarve, sem quaisquer discriminações ou favoritismos. A abertura é total para todos os produtores da região», garante. O plano é começar em Lagos e acabar em Monte Gordo, nos primeiros 15 dias de agosto. O objetivo não é comercial, mas mostrar aos veraneantes o vinho que se produz no Algarve.

Nova carta de néctares algarvios para canal Horeca

A Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA) está a desenvolver um «um projeto em parceria com uma grande empresa para a criação de uma carta de vinhos do Algarve que vai ser oferecida à sua rede de distribuição, que tem mais de 600 pontos de venda na região. Estamos a negociar e a montar a operação. Penso que vai dar mais um retorno positivo aos produtores. É uma empresa que tem contactos preferênciais no canal Horeca, junto da restauração e hotéis. A carta terá os vinhos dos produtores que quiserem aderir à ideia, nas condições estabelecidas, com 18 rótulos, brancos, tintos e rosés», revela Carlos Gracias, presidente da CVA. A operação será simples. «Os produtores garantem o fornecimento do produto, e essa cadeia garante a comercialização e distribuição dos produtos, associados a uma carta física», plano que deverá avançar ainda durante este ano.

FATACIL 2018 sim, se Lagoa convidar a CVA

Questionado sobre a participação na edição de 2018 da Feira de Agricultura, Turismo, Artesanato, Comércio e Indústria de Lagoa (FATACIL), o presidente da Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA), não fecha portas a essa possibilidade. «Nós participávamos no evento no âmbito da parceria que tínhamos com o município de Lagoa. Infelizmente, as relações não têm sido as melhores. O ano passado não estivemos. Este ano, porventura, se formos convidados e se nos cederem o stand, tal como tinha sido feito no passado, faremos um esforço no sentido de estarmos presentes», admite Carlos Gracias. «Penso que temos que dar um passo em frente. As instituições têm que se entender, não pode haver quezílias. Esta é a minha leitura», sublinha.

Rotulagem para projeto pioneiro da Quinta dos Vales

Em setembro de 2017, a Quinta dos Vales, propriedade de 44 hectares situada em Estômbar, concelho de Lagoa, que desde 2006 anos produz vinhos reconhecidos de grande qualidade, surpreendeu o mercado. Abriu a possibilidade a qualquer interessado de ter uma experiência de vitivinicultor. Pode ser uma simples experiência de garrafa (bottle-blending), lotear uma barrica de 225 litros durante um ano, arrendar uma vinha existente ou até mesmo plantar uma nova. Carlos Gracias, presidente da Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA) elogia o «projeto pioneiro que estão a desenvolver» e está disponível para limar algumas arestas. «As regras de rotulagem de produtos vínicos não são muito flexíveis. Estamos a estudar com eles um regime para edições especiais, para que quem participar nessas experiências possa personalizar os rótulos em número limitado de amostras, e desde que sejam para o autoconsumo e não entrem no circuito comercial».

Syrah da Tôr é exemplo que «sai fora dos cânones»

Questionado para referir um exemplo de vinho singular produzido na região, o presidente da CVA refere a Quinta da Tôr, no concelho de Loulé. «É um produtor que se instalou numa vinha já existente. No início só tinha tintos, mas entretanto reconverteu a vinha e já tem vinhos brancos. Tem vinhos de gradação elevada, como o Syrah 17º, que sai dos cânones normais e é comercializado como um primor, digamos assim», referiu Carlos Gracias. A produção começou em 2013 e, neste momento, a Quinta da Tôr tem já projetos de valorização na área do enoturismo, sendo parceira do projeto Loulé Criativo.

Algarve Views dá-se a conhecer a 12 de maio em Lagoa

A Algarve Views assume-se como agência de animação turística, especializada na criação e desenvolvimento de rotas enoturísticas. É um projeto vocacionada para este segmento em franca expansão, que na perspetiva dos promotores, poderá ajudar a contrariar a sazonalidade da região. O cocktail de lançamento oficial das está marcado para sábado, dia 12 de maio, às 17 horas, na Quinta do Morgado do Quintão, em Lagoa. Para mais detalhes e informações, a Algarve Views disponibiliza aos interessados os contactos 910 644 066 e 964 443 099.

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