Alexandre Agostinho lidera natação do Algarve com «mergulho no futuro»

Novos órgãos sociais da Analgarve foram eleitos no sábado, dia 17, durante a prova de natação «Torneio de Natal», em Albufeira. Com uma lista única a votos, Alexandre Agostinho, o nadador mais rápido de Portugal, pois ainda detém os recordes nacionais de 50 e 100m livres, é o novo presidente da associação algarvia. Em entrevista ao «barlavento», explica como irá dinamizar a modalidade na região.

barlavento – A lista que lidera foi eleita no sábado, para o quadriénio 2016-2020. Qual é a linha orientadora para o próximo mandato?
Alexandre Agostinho –
Primeiro que tudo, quero referir que a lista que lidero à Associação de Natação do Algarve é composta por 34 pessoas, sendo que houve o cuidado e preocupação de manter a paridade entre homens e mulheres (somos 18 mulheres e 16 homens). Temos um lema que nos vai guiar ao longo de todo o mandato, que é «Um Mergulho no Futuro» de todas as modalidades aquáticas no Algarve. Mudar o presente, para ser possível um melhor futuro para a natação no Algarve. O nosso plano de ação para o próximo ciclo olímpico não tem uma linha orientadora, mas sim oito. Assenta em linhas tão distintas como a vertente desportiva, até à comunicação e imagem da associação. Neste último caso, temos de executar um plano para modernizar o nosso modelo de comunicação e adaptarmo-nos a um novo contexto em que as redes sociais e o contacto regular com os órgãos de comunicação social têm um papel decisivo na promoção da natação no Algarve. Já na questão da atividade desportiva, pretendemos dotar a Analgarve da necessária organização, recursos e instrumentos necessários para alcançar os objetivos a traçar para as diversas modalidades aquáticas.

Quais são as modalidades aquáticas integradas?
Na Analgarve temos natação pura, polo aquático, natação sincronizada, águas abertas, masters e adaptada. A promoção das modalidades é uma das principais metas para os próximos quatro anos, com o objetivo de consolidação e aumento dos clubes, mas, sobretudo, dos praticantes.

Que dificuldades e oportunidades a Analgarve encontra para o futuro?
A parte financeira é o que mais nos preocupa. Temos algumas prioridades para o mandato mas que, sem o apoio da sociedade civil, das empresas, e também de todos os particulares interessados em dinamizar a natação, não serão possíveis de desenvolver e potenciar. Quem conhece e acompanha a natação sabe que temos uma lacuna que deixa os nossos atletas em desigualdade com os restantes. Falamos do não funcionamento do material de cronometragem eletrónica, material muito dispendioso, mas para o qual pretendemos, muito em breve, iniciar uma campanha de crowdfunding. Quanto às oportunidades, pretendemos aproveitar de forma mais consistente e planeada, todo o potencial existente no Algarve para a prática das modalidades aquáticas, quer seja pelas infraestruturas desportivas, como pelas ótimas condições naturais para a realização de provas de águas abertas. Temos quase tudo para fazer crescer a natação.

O que faz falta para dinamizar a modalidade?
Faz falta envolver todos os que, como esta direção, têm uma enorme paixão pela natação. Refiro-me aos clubes, com quem vamos trabalhar de forma muito próxima e transparente em torno do que nos une. Com isto, sabemos ser possível angariar os necessários apoios públicos para o desenvolvimento da natação, pois parece-nos que alguns desportos absorvem larga parte dos recursos disponíveis. O impulso pode passar por dar espaço à natação para crescer. Vejamos, temos um complexo desportivo em Vila Real de Santo António, onde o Centro de Alto Rendimento para a natação poderia ser dinamizado, à semelhança do que acontece em outras instalações no país. Sabemos que ainda faltam alguns equipamentos e recursos para isso acontecer, mas penso que estamos em condições de discutir este assunto.

Qual é o universo de praticantes?
Neste momento, temos 600 atletas filiados nas várias modalidades representativas da Analgarve, ao que acresce 2000 nadadores ao abrigo do projeto Portugal a Nadar, da Federação Portuguesa de Natação. Acreditamos ser possível ter muito mais pessoas, pelo que esse é um número que pretendemos ver crescer nos próximos quatro anos. Queremos ajudar os atletas e potenciais atletas a desenvolverem o gosto pela modalidade e mantê-los motivados para a sua prática.

Têm algum plano para ajudar jovens atletas em ascensão ou em formação que necessitem de apoio?
Esta situação é transversal a muitas modalidades no Algarve. Sabemos que os apoios nem sempre chegam aos atletas. Na natação em particular, essa situação é preocupante, pois vemos os melhores atletas a terem que optar por sair da região e, muitas vezes, a deixarem a família, para crescerem na modalidade. É preciso procurar apoios públicos, mas também encontrar na sociedade civil a vontade de apoiar o desporto e os atletas em particular. Sei que com os apoios certos, vai ser possível fazer mais e melhor em prol da natação.

Existem parcerias, ou vão existir, com escolas para incentivar a prática da modalidade?
Neste momento, não temos conhecimento que existam, mas faz parte dos nossos planos procurar acertar parcerias e protocolos, mas não só com as escolas, como também com as universidades. Os nossos atletas vão estudar para fora do Algarve, mas muitos também vêm estudar para a Universidade do Algarve ou mesmo para algumas universidades privadas. Temos de aproveitar esse leque de potenciais nadadores e sabemos existir interesse. Agora só falta lá chegarmos. Quanto às escolas, é importante a nossa presença junto da comunidade estudantil para promoção das modalidades. É de vital importância que as direções escolares percebam a dificuldade de articulação que os atletas têm entre a vida escolar e o desporto. A participação dos atletas em provas nacionais, faz com que, por vezes, seja necessário faltar a algumas aulas ou exames e aí é preciso o tal apoio das escolas para permitir que os mesmos sejam feitos à posteriori.

A associação abrange um universo regional. Todos os concelhos têm as mesmas condições para treinar ou são condições que ficam aquém do necessário?
A Associação de Natação do Algarve abrange clubes desde Vila Real de Santo António até Lagos. Ainda nos falta ter clubes nalguns concelhos, mas sei que já em 2017 vamos ter surpresas nesse campo. Quanto às condições de treino, sabemos ser muito difícil que sejam as ideais. Afinal de contas temos piscinas com muitos anos e a precisar de melhoramentos rápidos. A piscina de Portimão será um dos exemplos da necessidade de rápida intervenção por parte do município e falo desta por ter largo conhecimento próprio. No entanto, temos outras em situações semelhantes. É nossa intenção conhecer pessoalmente todas as piscinas, os problemas e, posteriormente, reunir com os responsáveis municipais. A associação pretende promover as modalidades, adaptar as infraestruturas, captar mais atletas e colocar o Algarve no panorama da natação nacional, tanto no campo do alcance de bons resultados desportivos, como na captação de eventos de relevo. O apoio tem de ser de todos, para nos possibilitar fazer crescer a prática das modalidades aquáticas no Algarve.

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