Águas do Algarve prepara mega encontro em março de 2018

O maior evento organizado pela Águas do Algarve está agendado para 1 e 2 de março de 2018. O tema de fundo é o ciclo urbano da água, numa perspetiva de futuro. Pretende juntar, em simultâneo, alunos, autarquias, empresas, académicos e população.

«A nível nacional existem outros encontros, congressos e eventos com idêntica temática. Pretendemos que o nosso seja diferenciador e não apenas mais um», avança Teresa Fernandes, responsável pela Comunicação e Educação Ambiental da Águas do Algarve, ao «barlavento». «Não queremos apenas os técnicos e especialistas a falar entre si, num ciclo fechado. Se você faz a diferença no uso que dá à água em sua casa, então por que motivo este encontro teria de ser apenas para quem trabalha no sector?», interroga.

Esta é «a primeira vez que uma empresa do grupo Águas de Portugal desenvolve um evento desta envergadura. Nunca houve uma exposição» sobre os já cerca de 500 milhões de euros investidos na região, nas várias infraestruturas que compõem os sistemas multimunicipais (água e saneamento) do Algarve.

«Como não temos um contacto direto com o consumidor, é importante dar a conhecer todo o trabalho de bastidores da nossa atividade, desde as origens, ou seja, a captação da água, o tratamento para consumo, o saneamento, a reutilização, e novos investimentos em energias verdes, por exemplo. E queremos mostrá-lo de uma forma interativa».

«Pedimos aos nossos fornecedores e às empresas ligadas ao sector do ambiente, que tenham uma intervenção ativa e não se limitem a mostras estáticas. Que tenham, portanto, uma atitude pro-ativa de intervenção no espaço» até porque a participação não tem custos inerentes.

O encontro está a ser preparado desde maio, por um grupo de trabalho da Águas do Algarve, incluindo a administração. Teresa Fernandes adianta que «os desafios atuais e futuros do ciclo urbano da água darão o mote às apresentações e às mesas-redondas. Os grandes temas são as origens da água; a comunicação e educação ambiental; a investigação, desenvolvimento e inovação; a relação entre água e energia; e a reutilização».

Teresa Fernandes (ao centro).

O painel de oradores ainda não está fechado, mas o programa envolverá entidades como a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a Faculdade de Ciências e Tecnologia de Lisboa, o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), a Universidade do Algarve e todas as autarquias algarvias.

«Queremos dar um destaque especial à inovação, a tudo aquilo que as empresas do grupo Águas de Portugal estão a desenvolver, por exemplo, no uso eficiente da água, na redução das perdas e ainda nas tecnologias inovadoras para o tratamento da água, quer para consumo, quer na área do saneamento. E também, sem esquecer, toda a vertente relacionada com a investigação no sector», avança.

«Vamos receber oradores na área da eficiência energética, que é um dos temas fortes, e um especialista no controlo da legionella, que é um tema muito atual».

Ao longo dos dois dias haverá oficinas técnicas relacionadas com a gestão, controlo e utilização da água; sessões para a apresentação de comunicações e debates com oradores convidados sobre a gestão de recursos hídricos.Ainda segundo Teresa Fernandes, está prevista para março de 2018, a inauguração da ETAR da Companheira, em Portimão, já posteriormente à realização do encontro. As inscrições são gratuitas, mas «por questões logísticas», devem ser feitas on-line em www.desafiosdaagua.com

A nova ETAR da Companheira, em Portimão, estará pronta a inaugurar em março de 2018.

Escolas desafiadas a participar ativamente

«Além de ser um encontro para adultos, será, em simultâneo, dirigido aos estudantes. As questões das alterações climáticas e os desafios da água no futuro, não podem descurar os mais jovens» e, por isso, neste momento, decorre um concurso aberto as todas as escolas algarvias, de vários níveis. A Direção Regional de Educação apoiou a divulgação do regulamento e a proposta de candidatura, em setembro, no início do primeiro período. O tema de fundo é, também, o ciclo urbano da água.

Os alunos do primeiro ciclo, por exemplo, «podem concorrer com banda desenhada, desenhos ou pintura. Os do segundo ciclo podem apresentar maquetas. E os do terceiro ciclo, podem criar uma música, uma atuação, algo que tenha a ver mais com o lado artístico dos miúdos, que estão no auge da criatividade. No secundário, os alunos estão hoje voltados para a criação multimédia, para a programação e para a produção de conteúdos. Há alunos com muito talento e queremos aproveitá-lo».

Todo este material será apresentado no encontro. «Os trabalhos das escolas vão ser todos exibidos. Quanto mais recebermos, maior será a exposição».

O interessante, segundo Teresa Fernandes, «é que nós, Águas do Algarve, estamos a desenvolver trabalhos para apresentar aos mais jovens, e eles estão a fazer o mesmo, para nos mostrar. Portanto, tudo isso vai culminar numa exposição que será, por um lado, para os adultos, que muitas vezes estão tão envolvidos na vertente técnica especialista do seu trabalho, que acabam por não ter contacto direto com aquilo que as escolas fazem, nem com a nossa aposta na educação ambiental. Por outro, será também e muito especialmente dirigida aos alunos».

Incentivos à participação não faltam, com prémios muito aliciantes. «Todas as escolas têm no seu plano de estudos a vertente da geografia, que aborda a temática da meteorologia, de uma forma teórica. Já que este concurso tem a ver com as alterações climáticas, vamos instalar estações meteorológicas de precisão científica» para o segundo e terceiro ciclo. «Não é uma coisa efémera, nem sujeita à obsolescência. É algo útil e que perdurará no tempo», reforça Teresa Fernandes.

«Para o primeiro ciclo, pensámos que poderia ser interessante um relógio de sol. As crianças ouvem falar disso mas não sabem o que é. Será construído de raiz por um especialista, pois não se trata de produto comercial. Queremos um projeto que seja realmente eficaz. Para o ensino secundário, o prémio será uma câmara de filmar, com perfil semi-profissional também para a escola».
O prazo para entrega dos trabalhos é 16 de fevereiro.

Uma «mini Kidzania» com oficinas técnicas

Teresa Fernandes garante que o encontro «vai ser um mundo de experiências com muitos desafios interessantes», para todos. «Vamos ter um parque educativo, que estamos a construir de raiz, onde os alunos poderão experienciar vivências reais nas oficinas técnicas. Nada será de faz de conta. Será um espaço onde a atividade da Águas do Algarve estará representada com realismo e objetividade. Queremos que os alunos saiam enriquecidos com as experiências que irão vivenciar». Entidades como os bombeiros irão demonstrar casos reais aos alunos, por exemplo, o que fazer em caso de fuga de cloro, ou de uma rutura na rede, entre outras propostas pedagógicas. Teresa Fernandes sublinha que as escolas interessadas em levar os seus estudantes, terão que se inscrever, e poderão participar durante a manhã ou tarde, nos dias 1 e 2 de março.

«O homem que queria ser água»

Francisco Ferreira, ex-dirigente da Quercus e fundador da associação Zero, é um dos nomes já confirmados. «Trata-se de alguém conhecedor da realidade não só do nosso país, mas sobretudo do panorama internacional, da problemática da água e das alterações climáticas ao nível mundial, que é muito grave», adianta Teresa Fernandes, porta-voz da Águas do Algarve. Também já foi dirigido um convite especial à Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA). «Nós gostaríamos que a ASPEA tivesse mais intervenção no Algarve, sendo uma associação com um trabalho muito meritório, muito interessante, e muito vasto. Traz experiências riquíssimas para partilhar connosco, e eventualmente, que se poderão replicar». Outra presença relativamente inédita na região, será António Abernú, ou «o homem que queria ser água». Teresa Fernandes explica: «trata-se de um indivíduo, alguém que não representa um coletivo, mas que vem mostrar o seu trabalho pessoal. Não há muita gente a profissionalizar-se» e a usar o teatro enquanto ferramenta de formação e educação ambiental. Ao longo deste ano, António Abernú dinamizou as conferências «Water Talks», em Lisboa.

Herdade dos Salgados é exemplo ambiental

Questionada sobre o porquê do Encontro Desafios da Água acontecer no Palácio de Congressos da Herdade dos Salgados, em Albufeira, Teresa Fernandes, responsável pela Comunicação e Educação Ambiental da Águas do Algarve, justifica com vários argumentos. «A escolha deste local tem uma especificidade. A reutilização da água é um fator muito importante, e no que depender de nós, estamos totalmente disponíveis para colaborar com as várias entidades responsáveis por essa matéria, para levar a bom porto esta questão, com a brevidade que se deseja. No entanto, já temos na região alguns projetos com alguma notoriedade. Os Salgados são um dos campos de golfe que estão a usar água reutilizada da ETAR de Albufeira na rega. A relva está magnífica e é um exemplo vivo, de sucesso». Teresa Fernandes sublinha ainda o potencial do espaço, cujas características são fundamentais para a diversidade de cenários que o encontro irá abarcar. Contamos ainda com a parceria do grupo Nau em diferentes áreas da organização do encontro».

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