Águas do Algarve garante que vai continuar a investir na Educação Ambiental

Teresa Fernandes, responsável da Comunicação e Educação Ambiental (CEA) da Águas do Algarve.

Numa altura em que mais de 1500 crianças participaram nas oficinas técnicas do encontro «Desafios da Água», que termina hoje em Albufeira, Teresa Fernandes, responsável da Comunicação e Educação Ambiental (CEA) da empresa que gere o abastecimento e saneamento na região, traça o balanço de 18 anos de trabalho e garante ao «barlavento» que o investimento é para continuar.

barlavento: Como surge a Comunicação e Educação Ambiental (CEA) na atividade da Águas do Algarve. É um desígnio que remonta às origens da empresa?
Teresa Fernandes:
Diria que faz parte do ADN da Águas do Algarve, desde a sua génese, e que tem vindo gradualmente a crescer, acompanhando o desenvolvimento da empresa, num trabalho que já soma 18 anos. É para nós uma área da mais elevada importância, que passa por todos os sectores desta casa, todos os dias, e em todas as atividades que desenvolvemos. E explico porquê. Basta ver o quão evidentes são as alterações climáticas que se fazem hoje sentir no nosso país e no nosso Algarve. Como é que podemos ficar indiferentes a uma realidade causada principalmente pelas atividades humanas? Enquanto empresa ambiental e socialmente responsável, temos consciência daquilo que pode e deve ser o nosso contributo na formação de consumidores mais conscientes, melhor informados e mais ativos. No futuro, vamos continuar a investir na Comunicação e Educação Ambiental.

No que toca à CEA, a Águas do Algarve criou a sua própria linha de ação?
A Educação Ambiental deve ser um exercício para a cidadania, dirigida a todos sem exceção. O encontro «Desafios da Água» é disso exemplo. Pela primeira vez, organizamos um evento internacional que reúne no mesmo espaço, ao longo de dois dias, pessoas de todas as idades, entre especialistas e investigadores, professores e alunos universitários, entidades do turismo, alunos do 1º ciclo ao secundário e população em geral. Por outro lado, o facto de estarmos presentes em praticamente toda a região, tem-nos permitido dinamizar muitos projetos de sensibilização, envolvimento e responsabilização dos cidadãos em questões como a preservação dos recursos hídricos, a importância da qualidade e da disponibilidade da água para a vida em sociedade, o seu uso eficiente e reutilização, e a aplicação de boas práticas ambientais, isto, só para citar algumas. Estas ações têm a premissa de estimular a participação de todas as camadas da população: família, escola, comunidade, ao longo de todo o ano. Recorremos também a parcerias com entidades externas, quer sejam universidades, ONGA’s e municípios. Claro, devo dizer que este trabalho é um desafio constante, sobretudo no ponto de vista da Comunicação. Como chegar de forma efetiva às organizações, escolas, empresas e às casas de cada um de nós? Que novas narrativas educacionais devemos desenvolver e integrar nas redes sociais e nos chamados novos media? Há muito por fazer. No entanto, acho que a contribuição para a mudança de mentalidades e para uma consciência coletiva mais amiga do ambiente, deve ser uma missão assumida e partilhada por todos. Da nossa parte, estou convicta que a aposta tem sido bem acolhida e com resultados bastante positivos, principalmente junto dos mais jovens.

Como é que as atividades são calendarizadas?
O Plano Anual de Educação Ambiental da Águas do Algarve tem como principal objetivo, abranger o maior número possível de pessoas de todas as idades, dando-lhes a possibilidade de participar nas diferentes atividades que propomos. E são em número considerável. Para exemplificar, refiro algumas das que mais se destacam em termos de visibilidade pública. No verão, organizamos iniciativas de incentivo ao uso eficiente da água e sustentabilidade de recursos. Em datas especiais e efemérides como os Dias Mundiais (da Água; do Ambiente; do Saneamento; dos Oceanos), criamos ações direcionadas à população em geral e aos nossos colaboradores. Por exemplo, concursos de fotografia, workshops e visitas às diferentes instalações da empresa. Durante os restantes meses, o nosso foco principal é direcionado às camadas mais jovens, tendo em atenção o calendário escolar. Nestas iniciativas pretendemos estimular a vertente crítica e a participação ativa dos alunos. Organizamos visitas guiadas às fábricas da água (ETAs) acompanhadas por colaboradores especializados das unidades operacionais, que mostram os minuciosos processos de tratamento da água para consumo humano, e o tratamento de águas residuais que fazemos na região.

O «Dia Zero» na Cidade do Cabo tem chocado o mundo. Acha que a população algarvia está sensibilizada?
O chamado «Dia Zero» já não faz parte de um guião de ficção cientifica. Infelizmente é bem real e tem data marcada para 4 de junho de 2018. A ONU e outras organizações mundiais têm vindo a alertar para este problema, que, na minha opinião, ainda passa ainda muito ao lado da população. No Algarve, a questão da seca também se coloca e é grave, tal como no resto do nosso país. De acordo com a média anual de consumos na nossa região, cerca de 70 milhões de m3, podemos afirmar que, para já, não há motivo para preocupações na garantia do abastecimento público. Todavia, os níveis nas barragens são de longe os desejáveis, veja-se a Barragem de Odelouca que está atualmente com um volume total da ordem dos 30 por cento, Odeleite 62 por cento e Beliche 55 por cento. Além destas reservas, podemos ainda acrescentar a água subterrânea de Vale da Vila e Benaciate, em caso de necessidade. São almofadas que nos trazem para este ano, algum conforto no abastecimento de água à população. No entanto, devemos continuar a adotar hábitos de poupança e de uso inteligente de água.

A Águas do Algarve participará no World Water Forum, em Brasília, de 18 a 23 de março. Qual a expetativa?
Trata-se de um evento com muito peso no panorama ambiental mundial. No seio do Grupo Águas de Portugal, e na Águas do Algarve, temos experiências e conhecimentos meritórios de serem partilhados neste evento, e daí o convite para estarmos presentes. Mas acima de tudo, é importante saber o que está a ser desenvolvido lá fora, e conhecer as novidades e que possam eventualmente ser aplicadas na nossa região e no nosso país.

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