Afinal, como é trabalhar na IKEA?

Não é preciso canudo e a idade não é um fator de exclusão. E mais: ainda há muitas vagas por preencher em Loulé.
Pedro Barroso, responsável dos Recursos Humanos (RH) da loja de Alfragide, em Lisboa.

Responde à pergunta Pedro Barroso, 44 anos. Trabalha há 13 na IKEA, nos Recursos Humanos (RH) da loja de Alfragide, em Lisboa. Em 2014 aceitou o desafio de integrar a equipa de expansão, «que garante a abertura das novas lojas» do grupo sueco em Portugal.

Depois de uma primeira experiência em Braga, está agora a trabalhar em Loulé para «garantir um bom recrutamento e uma boa formação aos candidatos». Em entrevista exclusiva ao «barlavento», explica o que procura e o que os algarvios podem esperar deste empregador.

A campanha de divulgação para o recrutamento começou a 1 de outubro. Neste momento, estão a ser realizadas entrevistas de grupo. É a segunda etapa na angariação dos futuros colaboradores. «Começámos por uma entrevista telefónica, na qual confrontámos o verdadeiro interesse do candidato. Queremos saber o que pretende, que experiência tem e quais as suas expetativas. Depois, alguns são convocados a participar em exercícios de dinâmicas de grupo» nas instalações do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) de Loulé.  

«Durante as entrevistas de grupo, colocamos 10 pessoas que, à partida, não se conhecem, a realizar uma tarefa, seja ela qual for. Isso permite-nos perceber quem consegue, ou não, trabalhar em equipa. Quem dá ouvidos ao colega do lado e, a nível de participação, quem é um líder positivo ou é um líder que se afirma pela negativa. Os individualistas não são muito felizes connosco», sublinha.  

A partir daqui, «os candidatos poderão ficar selecionáveis, ou não, para entrevistas posteriores» com o responsável direto da futura loja algarvia. Ainda assim, será o responsável de cada secção que terá a palavra final.  

Dito desta forma, parece um processo muito complicado e desencorajador, mas Pedro Barroso desdramatiza e até elogia a performance do Algarve.  

«Já temos cerca de 150 pessoas pré-selecionadas» para integrar a equipa. «Estamos a contratar para todos as funções operacionais da loja. Isto é, para o departamento de vendas, o serviço de apoio ao cliente, que inclui colaboradores de linha de caixa e balcão de trocas e devoluções, equipas para a restauração e, ainda, para uma parte muito importante, mas pouco visível, a logística da loja. Ou seja, todo o trabalho de reposição, desde a descarga dos camiões ao back office», explica.  

Porque algumas funções requerem mais tempo de formação profissional, nesta primeira fase do recrutamento, a maioria dos primeiros 150 pré-selecionados destinam-se às secções de vendas e logística. Pedro Barroso frisa que ainda há muitos mais lugares para preencher.

No total, a loja de Loulé vai precisar de 250 colaboradores e, por isso, incentiva todos os interessados a candidatarem-se. «A ideia é também criar uma bolsa» de emprego.  

O perfil ideal

O candidato ideal tem de ser prático, empenhado, ter alguma experiência anterior e, sobretudo, funcionar bem em coletivo. Aquilo a que Barroso chama «partilhar e perceber os valores da IKEA». «Tem muito a ver com aspetos pessoais e características humanas de cada um: se é alguém que gosta de trabalhar em equipa e gosta de simplificar as coisas», exemplifica.

«A consciência de custos é outros dos nossos valores. Ou seja, pessoas que estão atentas aos custos e que investem para ter um bom retorno» no seu trabalho. Passados estes requisitos, «a parte técnica não é um problema, porque a IKEA oferece muita formação». E que mais? «O salário varia muito de função para função e ainda da experiência de cada um. Mas, no mínimo dos mínimos, o vencimento base são 600 euros, no qual não está incluído subsídio de alimentação, nem horas noturnas que valem mais 25 por cento. Nem horas extra aos domingos e feriados, que são pagas a dobrar. Esse valor é mesmo para alguém que está a iniciar», assegura Pedro Barroso.  

Questionado sobre critérios clássicos como a idade e as habilitações literárias, responde com clareza. «Já aqui entrevistámos pessoas com 55 e 58 anos». Sobre os candidatos, diz que a maioria vem dos concelhos limítrofes de Loulé, entre Faro e Albufeira.  

Benefícios sociais

«Há uma coisa que, na generalidade, os colaboradores dão muito valor, que é o bom ambiente de trabalho e a possibilidade de fazer carreira na IKEA. Não queremos pessoas para desempenhar apenas uma tarefa, mas que estejam dispostas a ir mais longe daquilo para que foram recrutados. Assumir e delegar responsabilidades é um dos nossos valores. Esta possibilidade de crescer enquanto pessoa e profissional é uma das mais-valias», diz.

Em termos mais palpáveis, Pedro Barroso destaca os benefícios sociais oferecidos pela IKEA. Por exemplo, «o facto de as pessoas poderem almoçar ou jantar na nossa cantina por menos de um euro» já que a empresa paga uma parte da alimentação. Aquando da passagem a efetivo, a IKEA oferece um seguro de saúde e de vida gratuitamente.

«É uma decisão tomada no final do segundo ou terceiro contrato de trabalho» que, regra geral, é estipulado por seis meses. «Não vamos até ao último recurso que a lei permite», garante. Numa loja já a trabalhar, a maioria dos novos contratos são de seis meses. Mas como a de Loulé ainda está em abertura, está em estudo qual o modelo a propor aos futuros colaboradores.  

Emprego anti-sazonalidade

A loja de Loulé está prevista abrir na primavera de 2017, mas a mão-de-obra entrará em funções já em janeiro. Alguns futuros colaboradores algarvios irão estagiar nas lojas de Alfragide e Loures.

«Para nós, o Algarve é um mercado novo. O que noto é que as pessoas valorizam cada vez mais uma estabilidade e uma segurança no emprego que eventualmente tem a ver com a sazonalidade», considera Pedro Barroso.

«É aí que queremos marcar a nossa diferença. Que as pessoas possam entrar para a IKEA como um sítio onde consigam crescer e ficar a longo prazo, coisa que por vezes é difícil por cá».

Questionado sobre as especificidades da região, o responsável revela que «ficámos com a certeza que as pessoas do Algarve dão muito valor ao tempo fora do trabalho e daí estarmos a incentivar este perfil do candidato part-time».

«É nessa perspetiva que faço uma apelo aos interessados em trabalhar 20 a 25 horas semanais, 4 a 5 horas por dia, ou então, 16 horas ao fim de semana», desafia.  

Candidatura digital

A IKEA decidiu alargar o prazo de candidatura até 30 de novembro, porque os responsáveis de RH querem apostar no perfil de part-time. Apesar do IEFP ser uma instituição parceira do recrutamento da loja IKEA de Loulé, todos os interessados, incluindo desempregados, têm de passar pelo mesmo processo digital. «Têm de construir um CV online e responder a cerca de 67 perguntas relacionadas com a cultura» da marca. Pedro Barroso, assegura que as questões não são «teste psicotécnicos» mas «perguntas simples, do dia a dia, que nos permitem ver os vários perfis» para os cargos disponíveis. «É a única via. Quem não estiver muito à vontade a nível informático, terá sempre alguém na família que pode ajudar. Já vimos isso aqui». O endereço é www.IKEA.pt/trabalharnaIKEA

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