«365 Algarve» regressa em força

Melhor calendarizado, com divulgação reforçada e mais eventos-âncora. Será assim a segunda edição do programa «365 Algarve» que soma 525 acontecimentos promovidos pelos agentes culturais da região até ao final de maio de 2018.
Ana Mendes Godinho e Miguel Honrado.

Sentados lado a lado, Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo, e Miguel Honrado, homólogo da Cultura, abriram a descontraída cerimónia de abertura da segunda edição do programa «365 Algarve», na quarta-feira, 4 de outubro, na Cerca do Convento, no coração de Loulé. Num cenário quase de programa de televisão ao vivo, estiveram também Madalena Victorino e Beau McClellan, responsáveis por dois dos eventos-âncora da programação do «365 Algarve», e também os músicos João Frade e Viviane.

«Desde o início que o programa quis combater o mito de que não há nada a fazer para acabar com a sazonalidade. O objetivo é criar, com quem está cá, uma dinâmica cultural para ser vivida com quem vem de fora, e para podermos comunicar um Algarve vivo durante todo ano», disse Ana Mendes Godinho.

Miguel Honrado reforçou que «este tipo de projetos valem pela sua continuidade. No fundo, é a insistência que vai criando os hábitos nas pessoas para serem elas um público informado e, por outro, é uma forma de irmos afinando o conceito». E elogiou a «aliança entre turismo e cultura», com esperança que seja «um casamento de longa data». Palavras que não passaram despercebidas a Desidério Silva, presidente do Turismo do Algarve. «Se havia dúvidas sobre a continuidade deste programa, que seria para três ou quatro anos, daquilo que percebi desta relação institucional é que este processo vai para muitos anos. Este é um compromisso que ficou dito aqui esta noite. O Algarve não vai esquecer e vai registar, porque a cultura na região faz a diferença em relação a outros destinos. Muito obrigado por isso», disse. Para já, há a agradecer mais 1,5 milhões de euros de investimento.

Em conversa com os jornalistas, Dália Paulo, comissária do programa, explicou melhor as promessas. «O que está garantido são as três edições. Este é um programa que não pode, não deverá acabar porque é uma mais-valia para a região». Contando com a edição anterior, «vamos em três milhões de euros, não temos memória de ter sido investido tanto dinheiro em tão pouco tempo nos agentes culturais da região. Nós tivemos outros programas de animação cultural e turística na região que investiram zero em quem cá estava, em quem sabia o território, em quem sabia de cultura. E isso é a diferença. O que o Miguel Honrado quis dizer é que três anos é pouco tempo para consolidar um programa deste tipo, que não é de toca e foge. É para lançar sementes e dar condições às pessoas da área da cultura para que possam fazer disto a sua profissão e permitir aos criadores estar no Algarve todo o ano», sublinhou. A festa continuou com a música do DJ Christian F, uma degustação do projeto «Cataplay», e um concerto de António Zambujo.

Novidades na calha

Ainda em conversa com os jornalistas, Dália Paulo, comissária do «365Algarve» explicou que nesta segunda edição «houve um redirecionamento da programação, que resultou da experiência do primeiro ano, mas também da avaliação do estudo que foi feito pela Universidade do Algarve». A estratégia atual passará por «vários eventos-âncora, para conseguirmos ser mais complementares». Dália Paulo destacou duas novidades do programa, o Ecofest – Festival de Música e Ambiente, que decorrerá no Parque Natural da Ria Formosa, em Olhão, de 4 a 6 de maio de 2018 e a iniciativa AlGharb.Come. «É uma estreia. É um projeto muito interessante porque é feito por uma associação jovem, a Backup de Vila Real de Santo António, que pega em três temas identitários do sul, de património imaterial: o fado, o flamenco e a gastronomia», a apresentar em restaurantes da zona fronteiriça. Outra novidade será a festa dos Sentidos (outubro e novembro, em Lagos), o ciclo de exposições de arte contemporânea «Um certo Ponto de Vista» pela Artadentro, o projeto itinerante dedicado à cataplana «CataPlay» (dezembro a maio, em Faro, Vila Real de Santo António, Loulé e Vila do Bispo), o Festival de Artes Performativas de Tavira (janeiro e fevereiro), a Festa do Acordeão (fevereiro, em Loulé, Albufeira e Faro) e o Festival de Culturas Mediterrânicas – Entre Mares, sob o olhar do viajante Teixeira Gomes (maio, em Portimão).

Afinal, LUZA já não vai à mina de sal-gema

Apesar do empenho da organização, não será possível à mina de sal-gema de Loulé acolher a estreia do LUZA – Festival Internacional de Luz do Algarve, outro dos eventos bandeira do programa, que juntará talentos emergentes e artistas plásticos nacionais e internacionais, entre 24 e 26 de novembro. Segundo explicou ao «barlavento» Paulo Caetano, assessor de comunicação institucional do grupo CUF, «não haverá capacidade logística para receber pessoas no interior da mina». Dália Paulo reforça, no entanto, que se mantém «o objetivo de integrar na rede de festivais europeus. Mesmo numa primeira edição, acreditamos que conseguimos atrair muita gente de fora, pois é uma oferta diferenciadora a nível da região e inédita no país».

«Video Lucem» terá música ao vivo

Ainda de acordo com Dália Paulo, a mostra de cinema nas igrejas do Algarve «Video Lucem» terá um novo e ambicioso formato. Os filmes serão musicados por artistas algarvios, ao vivo. Nalguns casos será a música original, e noutros, uma banda-sonora encomendada. Ao todo serão sete sessões, ao ritmo de uma por mês, no Algarve todo. Começa em novembro.

Eventos consolidados continuam

Da edição passada, regressam eventos como o Festival Verão Azul – VIII edição (17 a 28 de outubro, em Faro e Lagos), o 2º Festival Internacional de Piano do Algarve (janeiro a abril, em Portimão), e o Jazz nas Adegas (janeiro a abril, em Silves); o FIMA – Festival Internacional de Música do Algarve (março a maio em diversos locais) e também a 4ª edição dos Festival Encontros do Devir «cidades utópicas – cidades possíveis» (abril e maio, em Faro, Loulé e Lagos). O «365 Algarve» abraça ainda a Festa dos Anos de Álvaro de Campos 2017 (outubro e novembro, em Tavira), Faro Desvendado (outubro a maio, em Faro), Momentos Fantásticos com Património (outubro a maio, em Lagos), Bordeira Terra de Acordeão – a obra de Hermenegildo Guerreiro (4 de novembro, em Faro), Festival T – Festival Internacional de Teatro de Albufeira (23 a 27 de março, em Albufeira) e Terra de Maio (25 a 27 de maio, em Castro Marim) e o Festival Algarve Jazz Gourmet Moments (25 e 27 de maio, em Lagos).Também estará de regresso o Festival do Contrabando (23 e a 25 de março, em Alcoutim).

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