Silves Futebol Clube vai tentar tocar o céu em Vila do Conde com os pés bem assentes no chão

Nuno Costa, treinador da equipa algarvia, reconhece a superioridade do Rio Ave mas avisa: «Não vamos lá fazer uma excursão».

Foi numa pausa do trabalho que Nuno Costa, treinador do Silves Futebol Clube, esteve à conversa com o «barlavento». Este é o mundo do futebol amador, onde o desporto é apenas mais uma ocupação nas vidas atarefadas de homens que são comuns mortais e que se levantam cedo para ir trabalhar, treinando três vezes por semana num horário pós-laboral, muitas vezes esgotados e sem forças.

O Silves Futebol Clube é o único representante algarvio na Taça de Portugal. É também um dos dois únicos representantes das divisões distritais ainda em prova. Se estes feitos já são dignos de nota para um clube dos distritais, acrescente-se outro ainda mais incrível: ao contrário do Vale Formoso (o outro representante das ligas distritais), o Silves chegou até aqui sem qualquer repescagem, eliminando sempre clubes do escalão acima.

Agora defronta o Rio Ave, equipa da primeira divisão recheada de bons valores. Para Nuno Costa e para o Silves é um momento alto. Talvez o mais alto da sua carreira, e do clube algarvio que milita na Primeira Divisão Distrital da Associação de Futebol do Algarve.

Na gíria futebolística diz-se que há jogos em que o treinador não precisa de falar e de motivar. Este é, sem dúvida, um deles. Nuno Costa corrobora, assumindo que «é mais difícil motivar os jogadores nos jogos para o campeonato, que é uma realidade completamente distinta». O técnico prossegue, concluindo que «nestes jogos não vale a pena falar de motivação, ela está nos píncaros, e isso nota-se até nos treinos, onde as forças e o desejo vencem o cansaço acumulado depois de um dia de trabalho».

Realmente, o campeonato não tem corrido pelo melhor ao Silves. A equipa encontra-se num modesto 9º lugar entre 12 equipas. Mas o treinador algarvio, reconhecendo esse mau momento, explica que «o desgaste acumulado nos jogos da taça tem feito das suas, e cada eliminatória que jogamos obriga-nos a adiar um jogo para o meio da semana. Um plantel desta dimensão não está preparado para fazer três jogos por semana, por vezes nem as equipas de primeira liga estão, e o desgaste acaba por se evidenciar».

Mas Nuno Costa acredita que este jogo pode ter o condão de inverter esse rumo. O mister do Silves revelou ao «barlavento» que está a pensar convocar «todo o plantel, para passarmos algum tempo juntos, unir laços e fortalecer o espírito de grupo, aproveitando o facto de irmos para o norte logo no sábado».

De facto, ser treinador de um conjunto amador nem sempre é fácil. O tempo é diminuto, os aniversários da família normalmente são prioridade sobre o futebol, bem como outros afazeres pessoais, e é difícil ao clube exigir mais dos seus jogadores, uma vez que a retribuição financeira é diminuta, e nem poderia ser maior nesta realidade – o plantel é formado apenas por jogadores da região, e não há verbas para conseguir contratar atletas de cidades longínquas que necessitariam de casa e outras benesses.

Mas esse estatuto amador não impediu o Silves de bater o pé a três equipas do Campeonato de Portugal, a competição acima da Primeira Divisão Distrital. Com apenas duas semanas de trabalho, quase sem rotinas assimiladas pela equipa, o Silves foi até Olhão eliminar um dos históricos Algarvios, o Olhanense. Depois, em Silves, seguiram-se o Paredes e o Chaves Satélite. Este último foi, para Nuno Costa, o mais difícil, pois «são autenticamente uma equipa sub-23 do Desportivo de Chaves, notava-se o critério na constituição do plantel, jogavam bom futebol e fisicamente eram fortíssimos».

Agora, em Vila do Conde, o Silves enfrenta uma das melhores equipas portuguesas. O Rio Ave ocupa o 5º lugar na Primeira Liga e conta com jogadores como Fábio Coentrão e Gelson Dala (ex-jogadores do Sporting Clube de Portugal), Carlos Vinicius (avançado emprestado pelo Nápoles, de Itália), Tarantino e Galeno (ex-jogadores do Portimonense, o último emprestado pelo Futebol Clube do Porto).

Tarantini é, aliás, um dos alvos dos maiores elogios de Nuno Costa, que considera o veterano português de 35 anos um «jogador muito cerebral e experiente, que faz muito trabalho de enorme qualidade mas invisível a quem só olha para a bola».

Sobre o seu Silves e a forma como a equipa se vai apresentar no Estádio dos Arcos, o treinador é assertivo: «Não vamos estacionar o autocarro, vamos tentar jogar com um bloco médio que nos permita aproximações mais rápidas à baliza adversária. Tentaremos enervar o Rio Ave, não queremos ser nenhum saco de boxe e vamos tentar criar oportunidades para sermos felizes».

Nuno Costa lembrou que «o Atlético Clube de Portugal eliminou o FC Porto no Dragão,  o Gondomar fez o mesmo na Luz ao Benfica, portanto não existem impossíveis no futebol, sabemos que é muito difícil mas se não acreditasse nem valia a pena fazermos tantos quilómetros».

O Silves vai ainda contar com o apoio dos seus adeptos. O técnico revelou que se espera a deslocação de dois autocarros com apoiantes, bem como de «várias pessoas que vão em carros particulares, aproveitando para passar um fim de semana diferente, culminado com um jogo de futebol do clube da terra».

Rio Ave e Silves defrontam-se no domingo, dia 25 de Novembro, a partir das 15h00, no Estádio dos Arcos, em Vila do Conde.

 

 

 

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