Rafaela Araújo quer levar Taekwondo de Portimão aos Jogos Olímpicos

Rafaela Araújo, 17 anos, pratica Taekwondo desde os nove, é cinturão negro-1º dan e acaba de juntar mais um título ao seu já vastíssimo palmares, o de Campeã Ibérica. Já conquistou 52 medalhas: 40 de ouro, 7 de prata e 5 de bronze. E o troféu de melhor atleta sénior 2016 do Open Internacional de Peniche.

A primeira medalha de ouro da Rafaela foi conquistada em 2010, ao fim de poucos meses de treino, sagrando-se campeã distrital, título que repetiu nos seis anos seguintes. Internacionalmente, é seis vezes campeã do Open de Peniche, duas vezes do Open de Lourosa, cinco vezes campeã do Open de Sintra, vice-campeã do Open de Londres e recentemente campeã do Open Ibérico, em Badajoz. Também participou no Open da Croácia, para arrecadar pontos para o ranking mundial.

O «barlavento» encontrou uma jovem com grande maturidade, que nos diz ter descoberto a modalidade quase por acaso e a ter adotado para realizar um sonho, estar presente nos Jogos Olímpicos de 2020.

«Aliás, ainda não sabia qual era a minha paixão e já dizia que queria ir aos Jogos Olímpicos». Começar a perseguir um sonho tão grande, tão pequena, não é muito comum. Mas «o monstro do tatame» persegue-o sem descanso, apesar das dificuldades, principalmente financeiras, que o projeto acarreta.

Rafaela é treinada por Tiago Carito, também fundador e presidente do clube. Tiago foi praticante em Lisboa e trouxe a modalidade para Portimão, em 2004. Criou um pequeno núcleo, mas o mesmo evoluiu e acabou por transformar-se num clube, em 2007. Neste momento, há cerca de setenta participantes, entre adultos e crianças, com oito atletas em competição, nas categorias de cadetes, juniores e seniores. O Taekwondo Clube de Portimão já conquistou diversos campeonatos nacionais, tem vários vice-campeões a alguns prémios em torneios internacionais.

Questionado sobre o porquê da proliferação das artes marciais em Portugal, o mestre responde que «um dos motivos da atração das pessoas prende-se com a necessidade de se sentirem mais seguras perante a violência cada vez maior ao seu redor. Desejam ser capazes de reagir mais rápida e eficazmente, se surgir uma situação de perigo». Depois, acrescentou que «a nível dos jovens, penso que o mais importante é a capacidade de concentração, de reação e de interação que as artes marciais acabam por trazer».

Rafaela Araújo explica que escolheu o Taekwondo, porque «é uma arte marcial para a qual olho e acho bonito ver cada movimento, cada demonstração». Mas acabou por confidenciar que também sofria bullying na escola, na altura, o que teve algum peso na escolha.

Quando quisemos saber qual a diferença entre esta arte marcial e o Karaté, Tiago Carito disse-nos que «o Taekwondo é uma modalidade mais dinâmica, muito mais vocacionada para os pontapés e os saltos, é muito mais rápida».

Questionada sobre qual o segredo para tantas vitórias», a jovem atleta responde: «quando entro no tatame, tudo o mais desaparece da minha mente. Concentro-me totalmente no combate. É como se entrasse em transe. As pessoas dizem que o meu olhar muda, a minha feição muda. Eu não consigo lembrar-me. Chego lá e apago. Sou só eu, o meu treinador e o tatame».

Custa a crer que uma face tão calma e doce possa mudar tanto, mas todos dizem que sim e que esse é o segredo dos seus bons resultados. Mas na verdade, esta jovem treina seis dias por semana, o que também deve pesar muito no desfecho dos combates.

Há duas maneiras de poder ir aos Olímpicos. Uma é estar num dos seis primeiros lugares do ranking mundial e a outra é através de uma prova europeia de seleção. Mas, nesse caso, é a Federação quem seleciona os atletas.

As provas de ranking são uma por país e Portugal não recebe nenhuma, por falta de verbas, o que obriga a deslocações ao estrangeiro para arrecadar pontos e o clube não possui condições financeiras para tal. Está a decorrer uma campanha de angariação de fundos, para que possamos ter uma atleta portimonense nos próximos Jogos Olímpicos, em 2020. Esta jovem já se tornou inspiração para os mais novos, que desejam seguir-lhe as pegadas. Logo, todo o apoio é pouco.

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