Portugal é campeão europeu de andebol em cadeira de rodas com ajuda algarvia

Dois atletas e uma fisioterapeuta da Casa do Povo de Messines fizeram parte da comitiva vencedora, que arrecadou o título em Leiria. Mas, na data em que se assinala o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, o brilho da festa não deve velar a dura realidade: há muito a fazer no apoio ao desporto adaptado.
Equipa da Casa do Povo de Messines - Foto: Casa do Povo de Messines

A seleção nacional de andebol em cadeira de rodas conquistou o título de campeã europeia da modalidade adaptada.

A competição, que decorreu em Leiria, terminou ontem, domingo, dia 02 de dezembro, em véspera das comemorações do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, que se assinala hoje.

Depois do segundo lugar conquistado nas edições de 2015 e 2016 do troféu, a equipa portuguesa garantiu o primeiro lugar vencendo a seleção da Croácia por 20-7, acabando por somar quatro vitórias nos quatro jogos que disputou na competição, vencendo a Holanda, a Hungria e a Croácia por duas vezes.

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, felicitou a equipa pelo feito, referindo na página oficial da Presidência que «numa feliz coincidência, na véspera do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, a seleção nacional de andebol em cadeira de rodas sagra-se campeã europeia da modalidade em Leiria. O Presidente da República saúda este exemplo de integração pelo desporto e felicita jogadores, técnicos e dirigentes, pelo desempenho».

Este é um título que enche de orgulho todos os portugueses, e que contou com a participação direta de dois atletas a jogar no Algarve, e de uma fisioterapeuta também ela algarvia.

Em declarações ao «barlavento», João Estrela, presidente da Associação de Andebol do Algarve, referiu que «a associação tem um projeto virado para a deficiência motora e para a deficiência intelectual, assente numa equipa sediada na Casa do Povo de Messines, e que nas competições joga como equipa do Algarve».

O dirigente refere que este título representa um «enorme orgulho para nós», agradecendo o apoio «das autarquias» e deixando um recado para «as grandes empresas, que na sua maioria têm sede em Lisboa e não nos ligam nenhuma». João Estrela enaltece a «importância desta conquista para o desporto em Portugal, que mais uma vez funciona como um veículo integrador de todas as pessoas na sociedade».

Os atletas da Casa do Povo de Messines presentes na competição foram Rui Rodrigues, natural de Albufeira, e Serghei Mitrofan, que embora tenha nascido na Moldávia, conta já com raízes muito portuguesas pelos anos que leva no nosso país. A acompanhar estes dois atletas, Daniela Faria, fisioterapeuta da turma messinense e também da seleção nacional.

A Casa do Povo de Messines é presidida por José Carlos Araújo. Ao «barlavento», um dos impulsionadores do desporto adaptado no Algarve não escondia o «enorme orgulho em todos os atletas, em especial nos dois que pertencem à Casa do Povo de Messines, e também na nossa fisioterapeuta, que acumula funções na seleção».

José Carlos Araújo não se coíbe de agradecer também «ao Sporting Clube de Portugal, com quem temos uma parceria, e que tem um grande projeto de desporto adaptado, dando um grande apoio financeiro» e à «Associação de Municípios do Algarve por nos fornecer transporte em parceria com as autarquias».

Mas em tempo de festa, e embora assim pareça a muitos olhos, nem tudo reluz. Existe muito por fazer na área do desporto adaptado, e o presidente da instituição messinense explica que «temos jovens de 19 e 20 anos que, de um dia para o outro, se viram presos a uma cadeira de rodas, e não é fácil lidar com esta situação, não são pessoas fáceis, são pessoas que estão tristes com a vida, que se refugiam muito na solidão».

Acrescenta o dirigente que «fazem-se muitos debates, muitos colóquios, fala-se muito, mas faz-se pouco na convivência com esta comunidade». Prossegue, dizendo que «as empresas não estão sensibilizadas para a sua componente de apoio social, e isso é uma resistência enorme para projetos fora dos grandes centros urbanos de Lisboa e do Porto».

Para finalizar, o dirigente remata: «É preciso sensibilizar para a realidade não nos anfiteatros, mas no terreno, onde tudo acontece».

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