Miguel Martinho traz windsurf mundial a Portimão em setembro

O velejador garantiu a organização de regatas integradas no Campeonato do Mundo, durante três anos, na Praia da Rocha. A primeira decorre de 15 a 23 de setembro.

O portimonense Miguel Martinho descobriu o windsurf com 10 anos de idade, influenciado pelo seu padrinho, o falecido advogado e político Francisco Florêncio, praticante da modalidade. Hoje, aos 42 anos, quase 30 de competição, apresenta um palmarés invejável em qualquer modalidade e o maior no windsurf em Portugal: 20 títulos de campeão nacional, três de campeão europeu e um de campeão mundial. «É uma estrelinha atrás de mim», começa por dizer. Mas, depois, confidencia que os resultados são o fruto de muito treino e enorme dedicação à modalidade, a par do apoio familiar incondicional.

O velejador garantiu a organização de regatas integradas no Campeonato do Mundo, na Praia da Rocha, durante três anos, com início já em setembro. A logística no mar estará a cargo do Clube Naval de Portimão. Haverá regatas das três classes de topo: Raceboard, Formula e Formula Foil, estando previstos cerca de 200 atletas de todos os continentes. Ou seja, no total, o contingente desportivo deverá rondar cerca de 500 pessoas, por um mínimo de uma semana. Muitos virão mais cedo, para se adaptarem ao campo de regatas. Aliás, Portugal é o primeiro país a organizar uma prova mundial de Formula Foil. Por isso, estarão presentes membros do Comité Olímpico, porque esta classe pretende ser olímpica, a partir dos Jogos Olímpicos de França, em Paris, 2024.

Miguel Martinho acaba de se sagrar novamente campeão nacional aos 42 anos, foi campeão mundial aos 30 e europeu em datas posteriores. Como é isto possível nesta idade? A explicação é simples. «As modalidades de competição, na vela, são muito técnicas. Quanto mais conhecimentos técnicos possuirmos, melhor andamos. Em termos de regata, a idade é uma mais-valia, pela experiência adquirida. Quando temos uma linha de partida com 50 participantes, todos a querer fazer o mesmo, há que ser técnico, encontrar vento limpo que nos permita ganhar vantagem. Pelo contrário, as modalidades de freestyle, nas ondas, geram campeões com menos de 20 anos de idade». Se a idade não é impedimento e um windsurfista de mais de 40 anos é jovem para a modalidade, qual é o elemento mais importante?

As pranchas de Formula foil possuem uma lâmina (foil) submersa que faz com que a prancha, ao ganhar velocidade, suba e se desloque sem tocar na água, movendo-se apenas sobre esse único mecanismo laminar que tira partido de um efeito hidrodinâmico usado em embarcações de alta performance.

«O estado mental. Um atleta de alta competição já tem tudo afinado, no ponto, já fez o trabalho de casa e está fisicamente em forma. Só necessita de estar psicologicamente bem. Não pode ter maus dias. Tem de entrar sempre para dar tudo o que tem, até em regatas a brincar. Esse é o segredo dos campeões», revela Miguel Martinho, que espera ter força para continuar assim por mais uns anos largos.

E que pensa sobre a falta de sangue novo na modalidade, o desinteresse dos jovens? Será porque pretendem resultados imediatos, que o windsurf dificilmente proporciona? «Em Portimão, não temos feito nada para que eles apareçam e temos de fazer. Não podemos estar à espera que surjam do nada. Temos de criar condições e abrir horizontes, para que possam querer», sublinha. «E não só no windsurf. Também nas outras modalidades, para que tenham mais dinâmica, mais vontade desportiva. Temos de levar os jovens a experimentar as várias modalidades, cativando potenciais talentos desportivos que, muitas vezes, se perdem por falta de condições e de conhecimento», que é muito importante.

Este atleta de alta competição, que não consegue viver do desporto e que necessita de um orçamento de 30 a 40 mil euros anuais para se manter no topo, competindo a nível internacional, lamenta que Portugal não seja um país virado ao desporto, o qual não deve ser fruto apenas pelos atletas, mas também pelos clubes, dirigentes, governantes e comunicação social. «Se abrirmos um jornal desportivo com 50 páginas, temos meia página dedicada às atividades que não sejam futebol. Assim, não se consegue promover o desporto, pois não? Não se muda a visão, nem a filosofia existente», critica.

Em relação aos Mundiais de Windsurf na Praia da Rocha, Miguel Martinho não tem dúvidas. «Vai ser muito bom para a projeção da cidade. É uma porta que se abre à possibilidade de estágios de clubes e atletas internacionais, fora das épocas altas do turismo. Temos uma costa maravilhosa e, se não a aproveitarmos, deixamos cair por terra um bocadinho do que temos de bom».

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