Vera Mantero estreia «Pão Rico» no Dia Mundial da Dança em Loulé

A coreógrafa Vera Mantero estreia uma nova peça de dança, intitulada «Pão Rico», sobre a descaracterização do litoral algarvio, hoje, sábado, 29 de abril, no Cine-Teatro Louletano, às 21h30.

Este trabalho original foi uma encomenda no âmbito da terceira edição festival «encontros do DeVIR – cidades utópicas, cidades possíveis», e terá ainda apresentações a 26 e 27 maio, às 21h30, na Culturgest, em Lisboa.

A nova criação vem na linha da apresentação, em 2012, de «Os Serrenhos do Caldeirão, exercícios em antropologia ficcional», que refletia sobre a desertificação nesta zona montanhosa, criada para a primeira edição deste festival.

«A serra agora está deserta. O pessoal amontoou-se todo no litoral. Serra vazia, litoral inchado. Num ápice (30 anos? 40 anos?), Quarteira: de aldeia de pescadores pobres a ‘referenciado centro de turismo’. Os pescadores venderam a areia e assim nasceram as vivendas e depois os pequenos arranha-céus. Dinheiro e areia, areia e dinheiro», comenta a coreógrafa num texto sobre «Pão Rico».

A concepção e interpretação é de Vera Mantero, o desenho de luz de Hugo Coelho, fotografias e vídeo de Hugo Coelho e Vera Mantero.

Vera Mantero estudou dança clássica com Anna Mascolo e integrou o Ballet Gulbenkian entre 1984 e 1989, iniciando a carreira coreográfica em 1987, tem mostrado, desde 1991, o seu trabalho por toda a Europa, Argentina, Brasil, Canadá, Coreia do Sul, Estados Unidos e Singapura.

Entre outros trabalhos, criou os solos «Talvez ela pudesse dançar primeiro e pensar depois» (1991), «Olympia» (1993), «O que podemos dizer do Pierre» (2011), e «Salário Máximo» (2014).

Nas peças de grupo estão, entre outras, «Sob» (1993), «Para Enfastiadas e Profundas Tristezas» (1994), «Poesia e Selvajaria» (1998), «Até que Deus é destruído pelo extremo exercício da beleza» (2006), e «Vamos sentir falta de tudo aquilo de que não precisamos» (2009).

Recebeu o Prémio Almada do Ministério da Cultura (2002) e o Prémio Gulbenkian Arte de carreira como criadora e intérprete (2009), tendo a Culturgest apresentado uma retrospetiva do seu trabalho em 1999, intitulada «Mês de Março, Mês de Vera».

Vera Mantero representou Portugal na 26ª Bienal de São Paulo, em 2004, com «Comer o Coração», uma obra criada em parceria com o escultor Rui Chafes.

Desde 2000 dedica-se igualmente ao trabalho de voz, cantando repertório de vários autores e cocriando projetos de música experimental.

Será ainda apresentado o texto «Desfasamento» de Miguel Cardoso (com leitura de Nuno Moura e ilustração de Gonçalo Pena), assim como mais um dos «Roteiros alternativos & itinerários subjetivos» por Perigo Público e Nuno Graça. O festival é co-financiado pelo programa «365 Algarve». Os bilhetes custam sete euros.

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