Velhos trilhos do Caldeirão dão lugar a projeto artístico

Ângelo Gonçalves, artista multidisciplinar e Luísa Ricardo, antropóloga, estão a trabalhar os antigos trilhos entre a Mealha (Tavira) e o Ameixial (Loulé) com a colaboração dos habitantes locais.
OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Desde o solstício de inverno que a dupla colaborativa Ângelo Gonçalves e Luísa Ricardo estão a desenvolver o projeto «Pessoas, Fronteiras, Objetos». «O mote são os velhos caminhos entre o Ameixial e a Mealha. Onde eram, as histórias de quem andava neles, o que iam fazer, o que levavam calçado e vestido, que comidas teriam no farnel», explica Luísa Ricardo.

«Com o andar dos trabalhos percebemos que existiam duas vias principais que eram percorridas de acordo com o governo (a necessidade) de cada um – ir ao mercado, às hortas, ao moinho (do Pisão), aos bailes de improviso, levar os animais a pastar, visitar parentes. Surgem os relatos dos quotidianos, dos tempos que já lá vão. Histórias entrecortadas de silêncios que evocam a desigualdade social, a violência, a perda, mas também o amor, e a alegria», acrescenta.

No terreno, «procuramos a continuidade na paisagem serrana, independente das fronteiras administrativas ou da lógica da propriedade. O chão de todos, os caminhos que ligam as vidas, como linhas num mapa que atravessa os tempos», metaforiza. A busca levou a dupla ao Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, «onde ouvimos as histórias de arqueólogos que calcorrearam alguns destes caminhos aquando uma expedição há 40 anos. E vimos objetos feitos em épocas idas que evocam saberes atuais».

A primeira apresentação de «Pessoas, Fronteiras, Objetos» está marcada para sábado, 2 de junho. Integra uma caminhada de 11 quilómetros com ação performativa e instalação na paisagem. Terá início às 8h30, na Mealha, e terminará no Ameixial, na Fonte da Seiceira, com uma refeição comunitária e convívio musical, às 13 horas, animada por Silvino Campos, que tocará um acordeão afinado à moda dos bailes de antigamente. Terá ainda a participação do Grupo de Cantares de Cachopo «Searas de Outono».

«A refeição comunitária com os habitantes dos montes faz parte da intervenção artística, voltando a sentar à mesa as pessoas que antes andavam nos caminhos de pé posto e que agora têm alguma dificuldade em fazê-lo devido ao passar dos anos», acrescenta.

Para a caminhada, o ponto de encontro é a antiga Escola Primária da Mealha. Os participantes deverão vestir roupa e calçado confortável (chapéu, protetor solar e fato de banho para molhar os pés na fonte), água e comida. A organização transportará todos de volta ao local de partida. Esta iniciativa é uma organização conjunta das Juntas de Freguesia do Ameixial e de Cachopo, com o apoio de várias entidades. A participação é gratuita, mas carece de inscrição até 30 de maio pelos contactos 961 570 442/ 289 847 169/ 289 844 112 ou por e-mail ([email protected]).

Categorias
Cultura


Relacionado com: