Tipografia União será Museu de Imprensa em Faro

A criação de um Museu de Imprensa no Algarve, na antiga tipografia farense União, foi um dos projetos apresentados e discutidos durante o colóquio «Pentateuco: comemoração dos 530 anos de livro impresso em Portugal» que decorreu na sexta-feira, 14 de julho, em Faro. «Acredito que reunimos aqui uma oportunidade única. Além do parque gráfico há um importante espólio documental que nos conta a história da imprensa. Esta tipografia, constituída em 1909 pela Diocese do Algarve, insere-se numa autêntica cidadela do conhecimento, uma cidadela espiritual que pode ser percorrida através deste património e destas memórias», disse a investigadora Patrícia de Jesus Palma, organizadora do evento.

«O Museu deve ter uma construção coletiva, interinstitucional e multidisciplinar», até porque já há interesse de entidades como a Direção Regional de Cultura do Algarve, que tem impulsionado o projeto desde outubro de 2016, quando este começou a ganhar forma. «Pode significar uma nova centralidade na dinâmica da vida cultural e intelectual do Algarve», considerou a delegada regional Alexandra Gonçalves. Também o presidente da Câmara Municipal de Faro Rogério Bacalhau prometeu apoiar «em tudo aquilo que estiver ao alcance, nomeadamente na arquitetura e especialidades e também com a museologia». No entender do autarca, esta iniciativa será mais uma prova de que o Algarve não é uma região subalterna do ponto de vista cultural.

A musealização poderá contar com o apoio de alguns dos seus antigos tipógrafos, ainda vivos, para colocar o prelo, dar formação e passar o conhecimento, antes que se perca.
O colóquio foi uma iniciativa conjunta do Centro de Humanidades da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (CHAM-FCSH/UNL) e do Município de Faro, com o apoio do Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes (ISMAT), da Fundação Manuel Viegas Guerreiro e da Direção Regional de Cultura do Algarve.

Afinal, terá o Pentateuco sido roubado ao bispo?

Os documentos – ou a falta deles – são o que sustenta teses e debates sobre os factos. O primeiro livro impresso em Portugal saiu de uma tipografia de Faro em 1487 e terá sido roubado ao Bispo do Algarve durante o famoso saque britânico de 1596, liderado pelo aristocrata Robert Devereux, 2º Conde de Essex. No entanto, os especialistas dizem que a História pode ser outra. Rui Loureiro (ISMAT/CHAM-FCSH/UNL) alegou durante o Colóquio que a teoria do roubo não é clara. «Não há nenhuma documentação nem na Bodleian Library, nem no resto da literatura que associe o Pentateuco ao conjunto de livros» que terá sido roubado pelo corsário inglês. «Uma hipótese de trabalho é o livro ter sido levado por alguém, algum judeu que tenha emigrado, obrigado ou por vontade própria e acabar por ir lá parar. Pode ser verosímil!».

Nota da direção: as fotografias aqui apresentadas foram tiradas de propósito para o «barlavento» por Samuel Mendonça, diretor do jornal «Folha de Domingo». Bem-haja e muito obrigado!

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