Sons e danças do mundo enchem ruas de Loulé no MED

Uma das novidades da 15ª edição do Festival MED é o Palco Calcinha, instalado no ex-líbris cultural da cidade conhecido por ter sido onde o poeta António Aleixo escreveu grande parte da sua obra.
Sam Alone é um dos convocados no cartaz do MED 2018.

A World Music é a principal aposta do Festival MED que, de 28 de junho a 1 de julho, transforma a Zona Histórica de Loulé numa fusão artística. Além dos artistas que vão pisar os três palcos principais – Matriz, Cerca e Castelo – há muito mais para ouvir, ver e sentir nos quatro dias da iniciativa, nos restantes espaços onde a música será o ponto de união de países, culturas ou crenças.

Ainda assim, no palco Matriz passam nomes como Sampladélicos, Bonga, Miguel Araújo (dia 28), Selecta Alice, Asian Dub Foundation, La Pegatina (dia 29), Irmãos Makossa, Dub Inc e Bitori feat Chando Granciosa (dia 30). Orelha Negra, Los Mirlos e Metá Metá são as propostas do palco cerca para dia 28, seguindo-se a 29 Gato Preto, Mogane Ji e Sara Tavares, encerrando a 30 de junho com Tribali, 47 Soul e Teresa Salgueiro. No palco Castelo passam Sam Alone & The Gravediggers, Gaiteiros de Lisboa e Vurro (dia 28), Melech Mechaya, Bruno Pernadas e Ricardo Martins (dia 29), Ifriqiyya Électrique, Hañba e Riding a Meteor (dia 30).

O Festival MED é, contudo, muito mais. Assistir a um concerto enquanto se degusta alguns pratos tradicionais de Marrocos, Egito, Itália ou Brasil é a proposta do Palco Bica e do Palco Arco. Na Bica, naquele que é também designado como quintalão, a programação nasce de uma parceria entre a Câmara Municipal de Loulé e a Casa da Cultura de Loulé que tem tido neste espaço um ponto de lançamento de novos artistas e projetos, explica a autarquia.

No arranque do Festival, dia 28 de junho, sobem a este palco o projeto brasileiro Primo, encabeçado por Bruna Caram, cantora, compositora, atriz, escritora e professora de canto, e o português Vasco Ramalho, que leva ao palco «Essências de Marimba: Fados&Choros». No segundo dia do MED, o programa da Bica apresenta duas bandas louletanas de música alternativa, Badweather e Al-Khimia. Na noite de encerramento vai estar neste espaço o projeto espanhol Pólvora que mistura recitais de palavra falada e pop lírico com instrumentais chillout, e também António Caixeiro, um dos responsáveis pela criação do Grupo Coral Bafos de Baco da Cuba, revelando a importância do Cante Alentejano nas novas gerações.

Este ano, a curadoria das noites dançantes do Palco da Bica será entregue ao coletivo que também compõe a espinha dorsal da banda galega Pólvora. Pela batuta do maestro Marcos de la Fuente aka Almagato, chegará até ao público o corporal perfume das noites da famosa «La Fiesta de los Maniquíes» (A Festa dos Manequins), um local enigmático e cultural que marcou várias vertentes expressivas na noite de Vigo como local de experimentação e de animação conceptual. O programa é composto com Almagato (World Music Dj Set), no dia 28, «Manequins Dançantes» – Almagato (Cool Beat Dj Set), no dia 29, «Manequins Digitais» – 2pas0s (Digital Live Set), no dia 30.

Já no Palco Arco, Nanook e Amar Guitarra são os artistas residentes que todos os dias animarão este espaço, que contará com tasquinhas a funcionar com células fotovoltaicas, onde toda a energia necessária ao funcionamento (iluminação, frigoríficos, fornos, máquinas de café) será solar. Uma iniciativa que valeu uma distinção do Programa «Sê-lo Verde».

O emblemático Jardim dos Amuados recebe um Palco dedicado à música e dança de raiz tradicional, em que as sonoridades dos artistas convidados são acompanhadas pela beleza das danças e colorido dos trajes. Este ano o Palco Jardim conta com a participação de Dhamar, da Índia (dia 28), Milo Ke Mandarini, de Espanha (dia 29) e Iman Kandoussi Trio, de Marrocos (dia 30).

Naquela que é uma das novidades desta 15ª edição do Festival MED, o Palco Calcinha, instalado no ex-líbris cultural da cidade conhecido por ter sido onde o poeta António Aleixo escreveu grande parte da obra, vai contar com muita poesia declamada por louletanos, mas também com momentos musicais, num conceito de Café Concerto com o cantautor Afonso Dias que levará a sua música a este espaço.

Por fim, outra das propostas neste extenso programa musical passa pelo Palco Mercado, onde todos os dias Bruno Maliji, cantor e compositor algarvio, e Eduardo Ramos, cantor e tocador de alaúde e outros instrumentos árabes, portugueses e africanos.

Outra das iniciativas, que não se resume ao espaço do Festival, será o ciclo de cinema MED no Mercado Municipal de Loulé, numa parceria com o Indielisboa. Através desta cooperação, o Cinema MED irá apresentar películas que já passaram pelo IndieLisboa, evento que é já uma referência na indústria cinematográfica.

Este sessão de cinema acontecerá nos dias que antecedem o festival, entre dia 25 e dia 27 de junho. O Cinema é uma das componentes do Festival MED, fusão de manifestações culturais que, par da World Music, assenta numas programação onde cabem também as Artes Plásticas, a Poesia, o Teatro ou o Artesanato. A programação completa pode ser consultada no site do Festival MED (www.festivalmed.pt). Até ao dia 24 de junho, os bilhetes estão à venda online (www.bol.pt), com preços reduzidos.

Bilhetes também à venda no comércio tradicional de Loulé

O comércio de Loulé volta a associar-se ao Festival MED e, entre os dias 21 e 27 de junho, as lojas da cidade irão disponibilizar para venda, a custo reduzido, os bilhetes para este evento.
Assim, os bilhetes podem ser adquiridos neste período com os seguintes preços: Bilhete Diário – 10 euros, Bilhete Festival (acesso aos 3 dias) – 25 euros e Bilhete Diário Família (2 adultos e 2 crianças até 16 anos) – 25 euros.

As lojas aderentes a esta iniciativa são as seguintes: E-jóias, Skulk, Visão de Prata, Bela Taça, Opção Boutique, Remax, Praça Central, Hamburgaria da Baixa (Praça da República), Sapataria Casa Verde, Sapataria Globo Dourado, Snack-bar Nacional, Pastelaria Rústica, Moss, Casa Popy, Relóptica e Sapataria Clemente (Rua 5 de Outubro – Rua das Lojas), Casa Brava (Rua da Barbacã), Rituals, I Love Loulé (Rua Condestável Dom Nunes Álvares Pereira), Linadel, Achinhagulha, Garrafeira Mestre Baco, Papelaria António Aleixo, Pantera Cor-de-Rosa, 11 da Villa Gourmet, A Minha Loja, Mercearia Mourisca (envolvente Mercado), Ourivesaria Suíça, Vegan Joe’s (Rua de Portugal), Marinela Artesanato, Café Q, 11 da Villa, Colheita Fresca, Galileu Bar (Zona Histórica), Mini-Cool, Yucca, Ervanária Flor do Algarve, Professional Version (Rua Maria Campina), Café Delfim (Av. 25 de Abril), Loja Graça, Woodys (Rua David Teixeira), Fokus (Avenida José da Costa Mealha), Electro Expansão Sul (Expansão Sul), Delícias do Mar e Loulé Cópias (Campina).

Playlist com melhor do MED 2108 no Café Calcinha

Na sexta-feira, 22 de junho, a partir das 18h30, o Café Calcinha abre as portas para receber mais uma iniciativa integrada na promoção da 15ª edição do Festival MED. Carlos Carmo, diretor do evento e vereador, e Paulo Silva, diretor artístico, irão apresentar uma Playlist Especial MED 2018 que irá abrir o apetite do público para este evento.

Neste momento, os tertuliantes irão destacar algumas das bandas que integram o cartaz desta edição, em formato Playlist, isto é, serão apresentados e visualizados alguns temas destes artistas. Cada música será acompanhada por uma descrição da banda e a razão pela qual foi escolhida pela organização para integrar o Melhor Festival de Média Dimensão da Península Ibérica. Esta iniciativa tem entrada livre.

Recorde-se que o Festival MED decorre de 28 de julho a 1 de junho («Dia Aberto»), na Zona Histórica de Loulé. 78 horas de música, 57 bandas de 18 nacionalidades diferentes, com mais de 260 músicos a atuar em 9 palcos em vários pontos do recinto, 1 centena de expositores de artesanato e produtos agroalimentares, 4 exposições, 10 grupos diários de animação de rua e muita gastronomia típica de diversos países são algumas das propostas do programa.

Também há fado, folk e música clássica

Na sua 15ª edição, o Festival MED volta a apostar num programa musical diversificado em que, para além das músicas do mundo, há propostas diferenciadoras que, ano após ano, têm tido uma forte adesão por parte do público. É o caso do Fado e da Música Clássica que voltam a estar em destaque.

No Claustro do Convento Espírito Santo, local onde há séculos funcionou um convento de freiras, voltará a recriar-se uma casa de fados típica, com muitos petiscos portugueses e, naturalmente, muita música. O MED Fado pretende homenagear aquele que foi distinguido, em 2011, como Património Imaterial da Humanidade da UNESCO e que é, sem dúvida, um dos principais cartões-de-visita de Portugal. Diariamente irão passar por este palco fadistas algarvios que levarão ao público do MED um pouco da alma lusitana.

No dia 28 de junho, quinta-feira, sobe a este palco Márcio Gonçalves, acompanhado por Ricardo Martins (Guitarra Portuguesa) e Nuno Martins (Viola de Fado). Para o dia 29 de junho, a convidada é Cátia Allandra que terá a seu lado José Alegre (Guitarra Portuguesa) e Nuno Martins (Viola de Fado). Finalmente, a 30 de junho, sábado, o jovem fadista louletano André Catarino será acompanhado em palco por José Pinto (Guitarra Portuguesa) e Nuno Martins (Viola Fado).

Numa altura em que já está concluído o restauro do pórtico da Igreja Matriz de Loulé, a música volta a ecoar no interior deste edifício religioso da cidade em mais um MED Classic. Na noite de arranque do MED, 28 de junho, será apresentado o “Concerto de Primavera”. Março encerra um ciclo: o triste inverno cede lugar à vistosa primavera, ao renascer da natureza, a dias de mais luz, vida e calor. Tal é também o programa proposto neste concerto para piano a 4 mãos, com os exímios Alexei Eremine e Yan Mikirtumov interpretando repertório de temática especificamente primaveril, e nas versões originalmente arranjadas pelos próprios compositores para piano a 4 mãos: Debussy, Stravinsky e Rachmaninov.

Já na sexta-feira, dia 29 de junho, a soprano Carla Pontes junta-se ao prestigiado acordeonista Gonçalo Pescada para um concerto com temas de J. S. Bach (1685-1750), G. Caccini (1551-1618), M. Ravel (1875-1937), José Afonso (1929-1987), V. Vlassov (n. 1936), G. Gershwin (1898-1937) ou Astor Piazzolla (1921-1992).

O Quarteto de Cordas Sul’Arte traz ao MED Classic, no dia 30 de junho, três dos mais importantes compositores clássicos de todos os tempos: Haydn, Mozart e Tchaikovsky. O grupo é composto por músicos profissionais a trabalhar no Algarve, José Gomes e Helena Duarte nos violinos, Ângela Silva na viola e Mikhail Shumov no violoncelo.

Ainda no âmbito do programa do MED Classic, o Ensemble de Flautas de Loulé (Conservatório de Música de Loulé) sobe ao palco no dia de encerramento (1 de julho) para o concerto “Tutti & Soli – Clássicos da Música Antiga”. O Ensemble, dirigido por Ana Figueiras e David Campelo, é composto por André Melo, Carla Coelho, Carlos Borges, Carolina Martins, Diogo Miguel, Élson Pereira, Érica Pereira, Iara Pereira, Inês Pereira, Joana Fernandes, Leonor Fernandes, Patrícia Martins e Teresa Rufino.

Fora do recinto – Off MED – também há propostas musicais neste programa do 15º Festival MED. A organização reforça a parceria com o bar louletano Bafo de Baco e é aí que irá decorrer o concerto do projeto The Folk Colective que reúne os músicos Fast Eddie Nelson, Nelson Graf Reis e Tio Rex. Este concerto terá um custo de 5€ mas é de entrada livre para quem apresentar um bilhete de qualquer um dos dias do Festival MED 2018. Refira-se que a pré-venda de bilhetes (a preços reduzidos) decorre até ao dia 24 de junho (domingo).

Cinema com o INDIELISBOA

Um dos principais símbolos da cidade de Loulé – o Mercado Municipal – recebe este ano o Ciclo de Cinema MED que, nos dias que antecedem o Festival, leva a sétima arte dos vários cantos do mundo a este edifício emblemático que é também um espaço de comércio no dia a dia. A parceria do Loulé Film Office com o prestigiado IndieLisboa – Festival Internacional Independente de Lisboa é uma das novidades deste ciclo.
Através desta cooperação, o Cinema MED irá apresentar películas que já passaram pelo IndieLisboa, evento que é já uma referência na indústria cinematográfica.

No arranque da programação, segunda-feira, dia 25, pelas 21h00, serão apresentadas seis curtas-metragens premiadas: Solar Walk (Grande Prémio de Curta-Metragem), de Réka Bucsi, uma viagem entre o microcosmos individual e o todo da galáxia; Rabbit’s Blood (Prémio Turismo de Macau para Melhor Animação), de Sarina Nihei, uma narcotizada versão da Alice no País das Maravilhas com sociedades secretas, punhais voadores e futurologia; Matria (Prémio Turismo de Macau para Melhor Ficção), de Álvaro Gago, o retrato de uma mulher imparável, Ramona, que entre todas as dificuldades consegue encontrar tempo para a sua neta; Waste N0.5 The Raft of the Medusa (Prémio Amnistia Internacional), em que o realizador parte do famoso quadro do subtítulo para refletir sobre os barcos dos refugiados que são expostos em espaço museológico; Tremors (Prémio Escolas) de Dawid Bodzak, um conto atmosférico que retrata uma adolescência polaca sobre skates, em particular um rapaz afligido por tremores, onde o facto e a representação se confundem; e Stay Ups (Prémio do Público Curta-Metragem), de Joanna Rytel, uma reflexão sobre a dificuldade de se ser mãe solteira com uma vida sexual saudável: a realizadora, de meia-idade, tem um visitante noturno, mas antes que ele chegue há que ensinar o filho a ficar muito bem escondido atrás do sofá.

Já na terça-feira, dia 26, é apresentado o filme Baronesa, de Juliana Antunes, a longa-metragem vencedora do Grande Prémio e Prémio Especial do Júri da Competição Internacional. Este documentário oferece um olhar raro sobre a favela: o ponto de vista feminino. Um filme de mulheres, sobre mulheres que vivem em bairros com nome de mulher (Leidiane e Andreia vivem em «Juliana» mas a última quer mudar-se para a «Baronesa»). Segundo a realizadora: «É a mulher olhando para a mulher sem as tintas da delicadeza, do sentimental e toda aquela moldura edulcorada da tal e tradicional feminilidade». A obra de estreia da Juliana Antunes foi galardoada em diversos festivais e considerada a melhor primeira obra de 2017 por um conjunto de 135 programadores, críticos e cineastas de todo o mundo. A entrada é livre.

No encerramento deste Cinema MED 2018, decorre, no dia 27 de junho, das 17h00 às 21h00, no Convento Espírito Santo, um Workshop de Argumento com Vera Casaca. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas através do email [email protected] até ao dia 26 de junho.

Refira-se que o Cinema é uma das componentes do Festival MED, fusão de manifestações culturais que, par da World Music, assenta numas programação onde cabem também as Artes Plásticas, a Poesia, o Teatro, o Artesanato, entre outras.

Categorias
Cultura


Relacionado com: