«Simone, o Musical» prestes a lotar o Teatro das Figuras

Talvez ainda haja quem se lembre dela a cantar ao vivo numa esplanada, em Olhão, teria um 20 anos de idade. E voltou muitas vezes ao Algarve. «Uma vez ganhei um festival da canção em Faro, penso que havia um coreto na baixa», disse Simone de Oliveira ao «barlavento». De regresso à capital algarvia, aos 79 anos, a cantora continua imparável e em contraciclo com o destino de muitos cidadãos seniores. «O nosso país trata muito mal os idosos. Mas atenção, acho que as pessoas também têm de se impor e não deixar que as ponham de lado. Como mulher da minha idade, acho que tenho direito a tudo. A fumar o meu cigarro, a sair à noite quando me apetece. E adoro conduzir. Acho que se a pessoa estiver lúcida, segura e com cabeça para isso, tudo bem. Vivo sozinha há 22 anos, ensaio e canto todos os dias, vou há 30 anos ao mesmo restaurante, visito os amigos. Às vezes a solidão nesta idade é muito complicada», contou, elogiando a família que está sempre presente. «Porque é que ainda consigo ter esta energia toda? Não sei responder. Poderia não ter vontade ou genica para fazer coisas, mas tenho. Olhe, nos últimos dois anos corri o país de norte a sul a cantar».

Em relação a «Simone, o Musical», «a ideia até nem foi minha. O Tiago Torres da Silva escreveu um primeiro texto que não gostei muito. O segundo foi muito elegante, muito forte. Disse logo que sim. A minha vida teve momentos baixos que poderiam ter sido mal aproveitados, mas não. E tenho a sorte de ter colegas extraordinários que se entregaram de alma e coração a este espetáculo e contam a minha vida muito bem contada. Não teria o êxito que está a ter, se não tivesse o empenho tão intenso e grande de todos eles. E é tudo ao vivo. Não há playbacks. Cantamos todos que nos desunhamos».

Simone de Oliveira não tem nostalgia do passado. «Não, não tenho. O passado deu origem aquilo que sou hoje. Vejo muitas vezes na RTP Memória, como era bonita. Mas aquela deu lugar a esta de hoje, com as suas rugas e handicaps. Não digo que seja uma coisa muito fácil, mas aceito. Não tenho a nostalgia do antigamente é que era. O meu tempo é este. É neste tempo que quero viver. Tenho obrigação de ser uma mulher feliz. Trabalhei muito e consegui ter o reconhecimento do meu país que é algo que eu adoro».

E há juventude no público? «Estranhamente, sim. Outro dia tive uma rapariga de 18 anos que levou a avó. Ela chorava tanto que perguntei: ó menina quer que lhe chame um médico ou qualquer coisa?»…

O espetáculo conta com as interpretações de Simone de Oliveira, FF, José Raposo, Maria João Abreu, Marta Andrino, Pedro Pernas, Ruben Madureira, Salvador Nery, Sissi Martins e Soraia Tavares. Representam personagens como Varela Silva, Ary dos Santos, Carlos do Carmo e David Mourão Ferreira, numa encenação pautada pela música e humor.

A banda alinha os músicos Helder Godinho (que assina a direção musical e o piano), Miguel Amado (baixo/contrabaixo), Ricardo Barriga (guitarra) e David Jerónimo (bateria).

A sessão de sexta-feira, 26 de janeiro está esgotada. Mas ainda há lugares no Teatro das Figuras para os espetáculos de sábado (às 16h30 e 21h30) e de domingo (às 15h30). As reservas podem ser feitas através do telefone 289 888 110.

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