Exposição ao ar livre em Portimão convida a passear pela História

10 painéis metálicos e 20 fotografias de grandes dimensões vão mostrar a quem circula pela Praça Manuel Teixeira Gomes como era o espaço nos tempos idos.

Aquele que, durante anos a fio, foi um centro nevrálgico de Portimão recebe, a partir de segunda-feira, dia 7 de agosto, uma exposição que mostra um pouco desse passado, intitulada «Praça Manuel Teixeira Gomes – Passear Pela História», promovida pelo Grupo de Amigos do Museu e pela Junta de Freguesia locais. São 10 painéis metálicos e 20 fotografias de grande formato, montados ao ar livre, que transportam o cidadão para as histórias que aquela praça tem ainda para contar. No verão, continua a ser um dos pontos mais frequentados por residentes e turistas.

Por ali já se cruzaram músicos, pescadores, bancários, conserveiras, engraxadores, foliões carnavalescos, condutores, livreiros, comerciantes, telefonistas, feirantes, cantores, poetas, pintores, fotógrafos, agricultores, artesãos, industriais, operários, veraneantes e gente vinda de todo o mundo.

A mostra é inaugurada às 19h00 e pode ser vista até dia 27 de agosto. Durante a estreia da exposição tocará a banda da Sociedade Filarmónica Portimonense, sendo esta uma forma de recordar a antiga Filarmónica de Portimão, conhecida por banda do Paga-Zé que, em julho de 1925, inaugurava o antigo coreto.

Ao «barlavento» José Gameiro, diretor científico do Museu local, estrutura que a par da Câmara Municipal colaborou para a concretização desta iniciativa, explicou que este será um projeto para ter continuidade, podendo ser alargado a outros pontos da cidade.

Como espaço público, esta praça sempre foi um local de intenso encontro e intercâmbio social, em torno da qual, nos seus cafés, lojas, esplanadas, agências bancárias e de navegação, correio, clubes e coletividades, jardim, cinemas e coreto, carrinhas, autocarros e táxis, se tomava as decisões económicas, políticas, desportivas e culturais mais relevantes.

A Praça Manuel Teixeira Gomes, antes designada por Visconde de Bivar, homenageia na atualidade o ilustre portimonense que se destacou como viajante, escritor, colecionador de arte, diplomata e Presidente da República Portuguesa (1923-1925) e que foi responsável pela elevação a cidade, da antiga Vila Nova de Portimão, em 11 de dezembro, de 1924.

A ação cultural «Passear pela História» é uma proposta que pretende ainda, segundo o Grupo de Amigos do Museu de Portimão, «fortalecer a identidade da comunidade, valorizar a cidade e o município, enquanto destino cultural e de lazer, quer dos habitantes, quer dos visitantes e turistas, uma descontraída viagem no tempo, entre memórias e as vivências sociais resultantes de uma geografia marítima, rural, industrial e comercial».

Também em declarações ao «barlavento» Álvaro Bila, presidente da Junta de Freguesia de Portimão, avançou que esta mostra surge de uma ideia conjunta com o Grupo de Amigos, que se cruza com um outro projeto daquela autarquia, que é o «Janela da História», criado no ano passado. Foram instalados bancos, com encosto em vidro, revestidos com fotos antigas da cidade. São imagens com cem anos, tiradas no mesmo local onde foi instalado o mobiliário urbano.

«Na Praça Manuel Teixeira Gomes serão colocadas estas estruturas com imagens antigas. Como são amovíveis será possível, mais tarde, utilizá-las noutros pontos da cidade, com outras fotos», adiantou. Ou seja, uma das próximas paragens será a Praia da Rocha e a Alameda, sendo uma forma de complementar a «Janela da História» e dar continuidade àquele espírito de manter vivas as memórias.

Aliás, Álvaro Bila mostra até abertura para emprestar as estruturas aos colegas das freguesias da Mexilhoeira Grande e Alvor caso queiram adotar a ideia nessas localidades. Para já, a mostra só terá esta edição na Praça Manuel Teixeira Gomes, pois é uma exposição condicionada pelo estado do tempo. «Só pode ser feita quando o tempo permitir, mas, no próximo ano, será alargada a outros pontos», concluiu o autarca.

«Agosto Azul» inaugura no Museu

A exposição de pintura «Agosto Azul», da autoria da artista alemã Kerstin Wagner, é inaugurada no próximo sábado, dia 5, no Museu de Portimão, às 18 horas. A obra, inspirada nas tonalidades e vibrações cromáticas do mar e da luz do Algarve, onde a autora reside grande parte do ano, mostra a influência e a utilização de três princípios opostos, movimento versus calma, caos versus harmonia, escuridão versus luz. Estes, «através da cor, da técnica e das tintas acrílicas utilizadas, fazem ressaltar a forte intensidade e a dinâmica visual das pinturas», mas também a «vastidão, a profundidade e a harmonia dos ambientes marítimos, ao longo do dia, na diversidade dos seus azuis».

A mostra pretende ser ainda uma homenagem ao atento observador da paisagem algarvia e portimonense Manuel Teixeira Gomes, pela forma estética e de grande sensibilidade literária como, na obra que publicou, em particular no livro «Agosto Azul» de 1904, o antigo viajante, escritor e Presidente da República, descreve o mar e a costa algarvia.

Kerstin Wagner nasceu perto de Colónia (Alemanha) e formou-se em Belas Artes. A exposição ficará patente no Museu de Portimão até 27 de agosto e poderá ser visitada à terça, das 19h30 às 23h00, e de quarta a domingo, das 15h00 às 23h00. Aos sábados, das 15h00 às 19h00, a entrada é gratuita.

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