Construção de Presépio com moto-serras suscita curiosidade em Monchique

Nelson Ramos, 44 anos, aceitou o desafio do presidente da Câmara Municipal de Monchique e está a esculpir até este domingo, dia 17, um presépio de madeira em tamanho real com moto-serras.

São várias as pessoas que ao passar tentam perceber o que está Nelson Ramos a fazer junto ao Largo dos Chorões, em Monchique. Nem o frio demove a curiosidade e muito menos as aparas espalhadas pelo vento, ou o rugir das moto-serras. As figuras já vão ganhando formas e é possível antever que dos troncos de madeira vão nascer uma Maria, um José, e um menino Jesus que iluminarão a programação de Natal naquele concelho da serra algarvia.

O artista é Nelson Ramos, entalhador de profissão, natural de Faro e que em 2013, iniciou este percurso com ferramentas mais pesadas. «Não é a primeira vez que faço um presépio em tamanho real», começa por contar. Entalhador há vários anos, foi também com um trabalho semelhante que se lançou na arte de esculpir madeira com serras mecânicas.

O sucesso do primeiro conjunto que fez, composto por 11 imagens, foi tal que, mais tarde, conseguiu o patrocínio da Stihl, uma conhecida marca de alemã de ferramentas e equipamentos de jardinagem. Ao longo dos últimos quatro anos tem vindo a percorrer o país com esta técnica de escultura. No entanto, esta é a primeira vez que uma autarquia algarvia o desafia.

Esta semana, tem sido o centro das atenções. «O espaço enche, há público e quando paro para descansar um bocadinho as pessoas batem palmas, agradecem, elogiam», confidencia ao «barlavento». Os troncos são de «árvores que tinham que ser abatidas, porque punham em risco a vida humana. Não foram abatidas de propósito. Esculpir árvores vivas ou abater uma árvore para fazer o boneco, não aceito», garante Nelson Ramos.

No caso de Monchique, as árvores estavam infetadas, por isso, segundo o artista, as peças ainda vão «levar produto para o bicho, seguindo-se o tratamento para as intempéries. Vão aguentar uma vida», afiançou. Ficará tudo com um tom neutral, no final, para que sejam visíveis os veios da madeira. Para dar contraste será aplicado diferentes tons de viochene, sendo a primeira vez que o usa. «A maioria das pessoas até teimam que as peças são feitas à parte, mas não. É um tronco único», e o viochene dá outra coloração a partes da peça, conforme onde é aplicado.

Mas Nelson Ramos não esculpe apenas presépios. Entre os trabalhos que já realizou destaca-se o busto de Rui Nabeiro, comendador e empresário responsável pela Delta Cafés.
E também efetua outros trabalhos, além das encomendas para empresas e municípios, para particulares. «A pessoa tem uma ideia faz um desenho e eu depois passo para a madeira. É preciso precisão. É cansativo, porque as máquinas pesam, são horas e horas com elas nos braços», descreve.

Nota que cada vez mais as pessoas se interessam, por exemplo, em mandar fazer um escultura para colocar em frente à casa, quando percebem que uma determinada árvore morreu. «Em vez de pagar a uma máquina ou a uma empresa para ir retirar a árvore fica lá o tronco e uma escultura. Pedem-me cada vez mais esse género de trabalho», avança.

Como tem o apoio da Stihl, em combustível para os equipamentos e na cedência destes, consegue praticar preços muito acessíveis. Até dia 17 de dezembro é possível assistir ao trabalho ao vivo, junto ao Largo dos Chorões, sendo que após essa data as peças estarão em exposição na vila.

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