Cine-Teatro Louletano anuncia nova e arrojada nova temporada

O Cine-Teatro Louletano acaba de anunciar a sua nova temporada de programação artística (setembro a dezembro de 2018), a qual reflete uma sempre renovada vontade da sua equipa de prosseguir e consolidar o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos ao nível da formação de públicos, do envolvimento da comunidade e da apresentação de uma oferta cultural pautada pela exigência, qualidade, diversidade e inovação das suas propostas, posicionando o Cine-Teatro como uma sala de referência no sul do país.

Desde logo com uma aposta muito forte na área da Música, em que se destacam as estreias nacionais, em Loulé, dos novos discos de Samuel Úria e de Luís Galrito. A variedade de estilos e estéticas patenteia-se ainda na apresentação de concertos que vão dos Blind Zero (acústico) à Banda Sinfónica Portuguesa e à Orquestra Clássica do Sul, esta última integrada no novo ciclo «Clássicos na Avenida» (uma coprodução entre a Orquestra Clássica do Sul, o Cine-Teatro e o Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa). O Fado, Património Imaterial da Humanidade, voltará a marcar presença nesta grelha programática com mais uma Gala dos Fadistas Louletanos, valorizando e promovendo assim os talentos do Concelho ligados a esse universo musical.

Uma das principais linhas que tem norteado a estratégia de programação do Cine-Teatro tem sido precisamente a de, através de encomendas artísticas, proporcionar encontros inéditos entre talentos locais louletanos e reconhecidas figuras do panorama musical nacional.

No âmbito do ciclo «O Longe é Aqui» já foram realizados, desde 2016, doze concertos e nesta temporada estão previstos mais dois espetáculos cujo mote é, mais uma vez, o diálogo e reinvenção de repertórios musicais de parte a parte: o singular projeto “Fad’Nu” (de José Alegre, docente no Conservatório de Música de Loulé, e Cátia Alhandra) com o intérprete e compositor Berg, vencedor da primeira edição do programa “Factor X” em 2014; e o inspirador músico Tatanka (da banda The Black Mamba) com a talentosa cantora Ana Newton.

Destaque ainda para dois concertos muito especiais: Avishai Cohen Trio e Sérgio Godinho com a Orquestra Clássica do Sul (OCS). Cohen é uma referência mundial no contrabaixo de jazz/fusão e a sua vinda a Loulé demonstra assim a vontade do Cine-Teatro de ter uma dimensão também crescentemente internacional na sua programação regular. Aliás, a presença de Avishai Cohen em Portugal para uma digressão com apenas quatro datas (sendo Loulé a única cidade no Sul do país contemplada) partiu precisamente de um desafio lançado pelo Cine-Teatro Louletano à produtora UGURU no âmbito do Misty Fest 2018. O aguardado espetáculo do prestigiado Sérgio Godinho com um ensemble da OCS – que vai centrar-se, em grande medida, no seu último e aclamado disco Nação Valente (o 18º álbum de estúdio) – resulta, mais uma vez, de uma encomenda artística feita pelo Cine-Teatro no sentido de apresentar ao seu público uma abordagem musicalmente diferenciadora e reinventada, de inequívoco valor acrescentado.

Uma palavra ainda para a prossecução da rubrica «Dos Sabores da Cultura», em que os prazeres do corpo (neste caso a gastronomia local) juntam-se aos prazeres do espírito (música) para uma tertúlia informal e intimista, com convidado e público juntos em palco, e que nesta temporada tem como figura central o professor e músico José Maria Vaz de Almeida (mais conhecido por Zé Maria), há muito radicado no Concelho de Loulé e um dos fundadores, em 1975, da Brigada Victor Jara.

Será certamente uma envolvente noite de histórias e acordes, entre familiares, amigos e admiradores.

Na outra rubrica que é dedicada à reflexão e debate sobre temas ligados à atualidade, «Conversas à Quinta», o Cine-Teatro acolhe Manuel Rocha, músico, docente e investigador, para falar dos desafios em torno do ensino da Música em Portugal, de políticas culturais e dos velhos e novos caminhos da música tradicional – também ele integrante da Brigada Victor Jara e atualmente desempenhando a função de diretor pedagógico do novo Conservatório de Música de Loulé «Francisco Rosado» instalado no restaurado edifício do Solar da Música Nova, o qual abrirá ainda este ano.

Na área do Teatro duas propostas inquietantes e questionadoras inseridas no ciclo «Estórias silenciosas» (dedicado à apresentação de propostas performativas ligadas a temas atuais nas áreas social, política e cultural) e em absoluta estreia no sul do país: o espetáculo «Amazónia», da prestigiada companhia Mala Voadora, que se centra numa novela ecológica e que aborda a preocupante realidade da sustentabilidade planetária ao nível ambiental, a qual nos toca a todos – estando esta apresentação alinhada com as preocupações do executivo louletano patentes na Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas (EMAAC) iniciada em 2015; e a criação «Erêndira! Sim, avó…», pelo Teatro A Barraca, que tem como pano de fundo a realidade da exploração sexual de menores na Colômbia profunda a partir de um texto do Prémio Nobel da Literatura Gabriel García Márquez. Somam-se a estas duas propostas uma terceira, de cariz multidisciplinar, igualmente englobada no ciclo «Estórias silenciosas», intitulada «Canas 44», da autoria da dinâmica associação Amarelo Silvestre, que coloca a questão do que está a desaparecer em Portugal na perspetiva das vivências de duas cidadãs-artistas-mães-mulheres a viver em Canas de Senhorim (distrito de Viseu).

A prestigiada coreógrafa alemã Pina Bausch costumava afirmar que sem dança a Humanidade estaria perdida. O Cine-Teatro continua a privilegiar a estreia no Algarve de espetáculos de dança contemporânea de reconhecidas companhias e criadores nacionais e nesta temporada apresenta uma criação de Victor Hugo Pontes, um dos mais apreciados coreógrafos da nova geração, a partir d’A Gaivota, de Anton Tchékov: «Se alguma vez precisares da minha vida, vem e toma-a».

Já o Quorum Ballet regressa ao Cine-Teatro para estrear, em terras algarvias, o seu espetáculo «Saudade – back to Fado», uma abordagem interdisciplinar, entre dança, música e performance, que representa, no fundo, um apaixonante regresso à origem, banhado por uma portugalidade bebida em grande medida (mas não só) na obra literária de Luís de Camões.

O envolvimento da comunidade escolar não é obviamente esquecido, quer com uma criação que vai diretamente ao encontro dos conteúdos programáticos oficiais, «Para lá do mar de Sophia», propondo assim o Quorum Ballet uma releitura da obra de uma escritora maior, Sophia de Mello Breyner, quer com um espetáculo que mais uma vez apela à sensibilização ecológica através da arte: «Marinho», da performer Margarida Mestre.

Esta última criação, em torno da temática e imaginário marítimos, revela mais uma vez a aposta do Cine-Teatro em usar as artes performativas e a educação informal como instrumentos para a defesa de causas ambientais. Além disso, este projeto, que se desdobra em vários formatos (espetáculo para vários públicos, oficinas prévias nas escolas e conferências informais), resulta de uma iniciativa e coprodução inéditas entre sete programadores a nível nacional (Cine-Teatro Louletano, Fábrica das Artes/CCB, Centro de Arte de Ovar, Culturgest, São Luiz Teatro Municipal, Teatro Municipal do Porto e Teatro Viriato), que se juntaram assim para esta encomenda artística à reconhecida Margarida Mestre e sua equipa de colaboradores.

A parceria com criadores e estruturas artísticas sediados na região algarvia é igualmente uma linha de força da programação do Cine-Teatro, estando previstas, nesta linha, duas residências artísticas e um laboratório no âmbito da colaboração com o festival transdisciplinar Verão Azul, organizado pela inquietante associação CasaBranca (Lagos). A residência de Raquel André (que regressa ao Cine-Teatro depois de ter apresentado aqui o projeto «Coleção de Amantes») consiste no envolvimento de artistas locais e ativistas-artistas que tenham nos seus processos criativos preocupações políticas e estéticas sobre a atual situação do mundo.

O reconhecido Gustavo Círiaco (Brasil), por seu lado, propõe uma residência artística que, trabalhando com crianças e idosos, enfoca na questão da memória e das paisagens que já não existem. Em ambos os casos haverá apresentações públicas no final das residências. Já o laboratório, que se irá dividir entre Loulé e Faro, incidirá numa temática de grande pertinência para a região algarvia: as práticas criativas em contextos periféricos.

O Cine-Teatro integra, como um dos coordenadores (juntamente com o Teatro das Figuras, em Faro), a Rede Azul – Rede de Teatros do Algarve e a sua programação também pretende refletir essa concertação programática que tem vindo a ser construída gradualmente ao longo dos últimos dois anos entre as várias salas da região. Neste âmbito, dez dos seus membros, em colaboração também com a Direção Regional de Cultura do Algarve, juntaram-se para realizar uma encomenda artística inédita a reconhecidos artistas naturais da mesma (João Frade, Rafael Correia e a louletana Ana Perfeito): a apresentação de uma criação original, “Moda Vestra”, que consiste numa releitura contemporânea, de cariz interdisciplinar, do universo da música tradicional algarvia, a qual irá itinerar pelos vários teatros algarvios em 2018/2019.

Por último, é de salientar, em termos de estratégia programática, a continuação da aposta, iniciada em 2017, na área da arte para a primeira infância (bebés, pais e profissionais que trabalham com esta faixa etária), através da parceria com as mais prestigiadas estruturas artísticas a nível nacional que trabalham neste campo – a Companhia Musicalmente e a Companhia de Música Teatral –, a qual se concretizará, nesta temporada, mais uma vez na apresentação regular de espetáculos diferenciadores e inovadores, de cariz multidisciplinar e acentuada contemporaneidade; e na continuação da aposta na dimensão formativa – lacuna grande existente na região – dirigida a profissionais do meio e outros interessados. A Escola Superior de Educação e Comunicação da Universidade do Algarve e as creches e jardins de infância do Concelho de Loulé serão, mais uma vez, parceiros privilegiados deste objetivo.

Numa ótica de democratização do acesso à Cultura e de eleição desta como fator estratégico de coesão social e de desenvolvimento é ainda de destacar a adesão da Câmara Municipal de Loulé, a convite das Secretarias de Estado da Modernização Administrativa e da Cultura, ao projeto vencedor do Orçamento Participativo Portugal 2017 “Cultura para Todos”, o que implica que todos os jovens que completem 18 anos em 2018 possam ter acesso gratuito aos espetáculos a realizar no Cine-Teatro (mediante a disponibilidade da sala) até dezembro de 2019.

Para mais informações os interessados podem contactar o Cine-Teatro Louletano pelo telefone 289 414 604 (terça a sexta-feira, das 13h00 às 18h00). Além disso, podem consultar a sua página de facebook ou no website, ambos em permanente atualização.

Categorias
Cultura


Relacionado com: