Banda desenhada futurista conta história de Loulé

Obra destina-se à comunidade escolar do concelho e também aos apreciadores desta arte.

Tem por título «Os Segredos de Loulé: Uma história em Banda Desenhada» e contraria tudo o que é habitual neste tipo de projetos institucionais. Quem o diz é o coautor João Miguel Lameiras. «Costumam ser livros ilustrados, mas neste caso concreto, pudemos fazer uma algo mais ambicioso. Daí termos criado uma intriga de ficção-científica que lança a história» do concelho algarvio.
O passado é (re)descoberto a partir de um futuro distante, quiçá provável, ou não, em flasback.

A Terra estaria inabitável numa aridez de gelo e abandonada há muitos séculos. Os seres humanos partiram para colonizar o espaço. Um dia, contudo, uma equipa de astronautas regressa em busca das origens. A expedição vai investigar a lenda de um mítico arquivo que existiria nas Minas de Sal de Loulé.

«Lembrei-me disto porque numa das visitas, olhei para aquela igreja moderna no cimo de um monte e pensei que se parece com uma nave espacial, um disco voador. Depois, ouvi falar na mina de sal-gema (da Campina de Cima). Algumas são usadas como arquivos» subterrâneos. E é isso que traz as personagens a Loulé. «Temos a chefe da equipa, uma arqueóloga, um biólogo e um desenhador. Na mina, descobrem um arquivista congelado que vai servir de narrador. Foi esse o mecanismo que arranjámos» para prender a atenção dos jovens leitores, neste caso, os alunos do ensino secundário.

E a imaginação do enredo já mereceu boas críticas, depois de uma primeira apresentação no último Festival de Banda Desenhada da Amadora. «Teve boas vendas. Uma das preocupações que tivemos foi disponibilizar cópias para» os fãs dos quadradinhos. Desta forma, a obra chegará a um público mais vasto e apreciador, explicou João Miguel Lameiras que assina o argumento com João Ramalho Santos. «Queríamos fazer algo diferente do habitual. A informação é transmitida quase toda pelos diálogos entre as personagens, exceto uma história dentro da história sobre a moura Cassima, que é apresentada como se fosse um filme de animação, com voz-off».

Questionado sobre o ilustrador André Caetano, de Coimbra, Lameiras explica «não tem muitas coisas publicadas, mas é um excelente desenhador. Foi escolhido porque já tínhamos trabalhado juntos num livro sobre células estaminais, produzido pelo Centro de Neurociências e distribuído com o jornal Público».

Este projeto foi uma ideia avançada por Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, em 2015, que lançou o desafio a José Carlos Fernandes, nome consagrado no mundo da Banda Desenhada. Mas como já não está no ativo, recomendou a equipa. Dália Paulo, diretora municipal da autarquia, e a arqueóloga Isabel Luzia acompanharam o progresso.

«Quando eles viram a exposição em Lisboa, por muitos materiais que lhes tivéssemos enviado, fez-se luz. A clareza com que a história daqueles 7 mil anos é contada, foi fundamental no processo criativo», disse Dália Paulo ao «barlavento». A apresentação está agendada para sexta-feira, dia 14 de dezembro, às 18h30, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

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