A «Vingança» de Miguel Madeira

É mais um passo na construção da carreira literária de Miguel Madeira, 51 anos. Novo romance policial será apresentado sexta-feira, dia 3 de novembro, na Biblioteca Municipal de Loulé, às 18 horas.

Conhecido pelas crónicas políticas e por uma dissertação sobre a governança dos municípios algarvios, Miguel Madeira tem um novo livro no prelo, dois anos depois do lançamento de «Obsessão», uma trama densa, de 550 páginas, que assinalou a estreia do autor na ficção.

«A receção foi positiva. Foram várias as pessoas que, pelos mais diferentes meios, se dirigiram a mim para me felicitar. No essencial, as pessoas gostaram, sobretudo da história. Muitas nunca imaginaram ler um policial onde a ação se desenvolve numa cidade e em ruas que conhecem como as palmas das suas mãos», esclareceu ao «barlavento».

Agora, a pergunta inevitável é se o novo livro, «Vingança» dá continuidade ao anterior, ou é uma história independente? «É uma sequela. Mas o leitor pode compreendê-la em separado. E o Algarve, sobretudo a cidade de Loulé, continua a ser o pano de fundo, com passagens por Sevilha, Lyon, Faro e Alte», desvendou.

Na verdade, quando Miguel Madeira apresentou «Obsessão», no final de agosto de 2015, já tinha ideias alinhavadas para continuar. «Sim, deixei essa possibilidade em aberto, caso me sentisse com motivação para escrever e conseguisse dispor do tempo necessário. O final ficou em aberto. O destino de algumas personagens não é claro, o mistério do corpo encontrado nos escombros do barracão na Quinta da Almargem» são alguns dos mistérios a esclarecer na nova obra.

E «tal como o próprio título indica, trata-se de um ajuste de contas com o passado. Uma das principais personagens do livro anterior é assassinada, dando espaço ao surgimento de um outro protagonista, um inspetor cuja alcunha é Cacau».

Questionado sobre o que o motiva e se ainda vale a pena apostar na edição de autor, Madeira diz apenas que «para mim, escrever é dar corpo a um sonho. E o que me motiva é ter o prazer, diria mesmo a vaidade, de andar pela rua e ter quem se dirija a mim, conhecendo-me, ou não, e falar-me acerca do que escrevi. Perceber a satisfação que pude proporcionar a alguém num dado momento e que, sem saber, fiz parte da vida daquela pessoa. Em relação à aposta de editar, no meu caso, não foi nada fácil. Cada vez são menos as editoras disponíveis para apostar em autores pouco conhecidos. Valeu-me a Chiado Editora que continua a acreditar em mim e a ajuda de um meu grande amigo, cujo nome não vou revelar a seu pedido, que me ajudou na aquisição» dos custos.

Para já, «vou empenhar-me na promoção deste meu livro, um esforço para o qual conto com o apoio da imprensa regional algarvia e dos meus amigos e leitores. Quem sabe se «Vingança» chega às mãos de alguém que, gostando dele, me ajude a abrir outras portas. A sorte também tem uma importância determinante no sucesso de um escritor», conclui. A primeira apresentação em Loulé será feita pelo advogado, gestor e docente universitário
Marciano Lopes.

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