Fernando Silva Grade

  • O Celeiro de São Francisco e a consciência histórica

    O lamentável episódio da derrocada do telhado do Celeiro de São Francisco, em Faro, ilustra, de forma cristalina e veemente, todo o sentido dos meus receios e alertas, publicamente veiculados através de várias fontes e meios há bastos anos. Este edifício, de raríssima configuração arquitetónica e que atravessa as...
  • Albufeira, o rochedo do Peneco e o espírito da Terra

    «Albufeira era, nos anos 60 e 70 do século passado, um daqueles raros lugares míticos que era revelado de viajante a viajante, quase em segredo, como um shangri-la recém-descoberto, não nos Himalaias ou no Hindocuche mas, milagrosamente intacto, num recanto da Europa. Alcandorado em estática contemplação de um mar...
  • Carta Aberta ao presidente da Câmara Municipal de Faro, professor Rogério Bacalhau

    A gravidade da situação que está a pôr em causa a integridade do centro histórico da cidade de Faro impôs-me a necessidade de me dirigir, com carácter de urgência, à instância superior da capital algarvia. Uma das circunstâncias que caracteriza os tempos atuais é o desencadeamento de fenómenos imprevistos...
  • Alumínio, o cancro dos centros históricos

    Trata-se da epidemia dos alumínios, que já é endémica há algumas décadas no Algarve, mas que se tem vindo a agravar ultimamente, e que está a aniquilar a integridade, a harmonia e o élan espiritual das zonas históricas, não só na nossa terra, mas em todo o Portugal. A...
  • Igrejas sem Alma

    Já começa a transformar-se num déjà vue rotineiro e caricato os episódios ocorridos nas igrejas da nossa terra. A última situação que teve lugar na Igreja do Carmo, em Faro, copia a papel químico o que se passou há uns meses atrás na Igreja Matriz de Olhão e há...
  • A Princesa Zarolha

    Temos assistido ao longo dos anos à aniquilação, sem apelo nem agravo, da arquitetura tradicional em Portugal. O que ainda não foi demolido, ou está em ruínas, ou foi deploravelmente descaracterizado, não restando quase nada dos pressupostos que caracterizavam os nossos edifícios antigos. Em Faro, que ainda detém uma...
  • A quintessência do pensamento autárquico

    Tendo acompanhado durante as últimas décadas o desempenho desassombrado daqueles que têm determinado o destino da terra algarvia, e que a resgataram de uma modorra arcaica indigna da civilização, demudando-a numa terra progressiva e trepidante, não posso deixar, ainda assim, de me surpreender com o lampejo inspirativo da autarquia de...
  • A Igreja Matriz de Olhão, cimento ou cal?

    O deplorável acontecimento da «reabilitação» da Igreja Matriz de Olhão, ocorrido na semana passada, traduz a regra no contexto da intervenção em edifícios antigos, em todo o território nacional. Tem-se assistido, por isso, nos últimos anos, à descaracterização generalizada de todas as igrejas e de todos os edifícios históricos,...
  • Petição em defesa do que resta do património arquitetónico de Faro

    Um grupo de cidadãos, entre os quais me incluo, acaba de lançar a petição pública «Não à destruição do que resta do património arquitetónico de Faro». Este abaixo-assinado, aberto a qualquer pessoa interessada, surge na sequência da demolição de parte de um quarteirão na zona nobre da cidade da...
  • Os mamarrachos e a roda da regeneração

    Vem este artigo a propósito da destruição vandálica de um quarteirão quase inteiro de antigas e belas casas algarvias, na zona nobre da cidade de Faro, para no seu lugar ser erigido o inevitável mamarracho. Na rua Reitor Teixeira Guedes subsistia, até há uma semana, um conjunto de interessantes...
  • A Cegueira de quem não Alcança

    «Bem quereria, George, Bem quereria mostrar-te o meu país que foi de Marinheiros; Mas já não há marinheiros. Há um deserto de tudo. Um povo que calçou pantufas no espírito E se dá ares sem saber de quê (…)» Fernando Cabrita, poeta de Olhão O mal-entendido que contamina, desde...
  • As vistas de Olhão

    O sentimento que todos os habitantes de Faro têm, sobre o esplendoroso cenário da Ria Formosa, é de um grande desgosto e de um sentido de perda, isto devido à construção, há um século, da linha de caminho-de-ferro e do aterro que o suporta, e que secou para sempre...