«Moderno ao Sul» homenageia arquitectura de Gomes da Costa

«É um compromisso pessoal [fazer a exposição], pois Manuel Gomes da Costa é uma das poucas pessoas que conheço que merece uma homenagem» desta dimensão, disse ao «barlavento» o arquitecto Gonçalo Vargas.

A exposição «MGC – Moderno ao Sul» vai mostrar, a partir desta sexta-feira, às 18 horas, no Museu Municipal de Faro, uma pequena parte da obra do arquitecto Manuel Gomes da Costa, um dos principais responsáveis pela introdução do Modernismo no Algarve, nos anos 50 do século XX.

E é mesmo uma pequena parte, pois estarão à vista do público apenas 38 projectos e quatro maquetas, o que nem chega a representar dez por cento das criações de Gomes da Costa, que dedicou mais de cinco décadas à arquitectura no Algarve.

«Só em Faro, tem mais de 300 projectos», contou ao «barlavento» o também arquitecto Gonçalo Vargas, um dos responsáveis pela exposição.

Por isso, a tarefa não foi fácil para Gonçalo Vargas e António Rosa, tendo o primeiro assumido o compromisso de homenagear Manuel Gomes da Costa.

«Estou a preparar a exposição há três anos, pois tive de recolher dados nos arquivos, digitalizar e preparar os projectos, bem como compor toda a mostra», sublinhou. Um processo demorado que ainda contemplou a selecção dos projectos que ficarão em exposição até 24 de Novembro.

«MGC – Moderno ao Sul» é «um compromisso pessoal, pois Manuel Gomes da Costa é uma das poucas pessoas que conheço que merece uma homenagem» desta dimensão. Assume ainda mais importância por ser realizada contando com a presença de Manuel Gomes da Costa, hoje com 88 anos.

«A iniciativa serve para chamar a atenção das pessoas para a obra dele, para os momentos dele», reforçou Gonçalo Vargas. E são 50 anos de projectos, de trabalho árduo e solitário, logo após a formação na Escola de Belas Artes do Porto, em 1953.

A exposição é assim «uma retrospectiva das obras do arquitecto algarvio Manuel Gomes da Costa, responsável por projectos como a ampliação do Colégio de Nossa Senhora do Alto, em Faro, a Capela de Santa Luzia, a Cooperativa Agrícola de Santa Catarina da Fonte do Bispo», o Retiro em Alcantarilha, algumas casas na Praia de Faro e inúmeras habitações unifamiliares e colectivas em toda a região.

As maquetas escolhidas para representar a sua obra são as réplicas da Casa Rosa Mendes, em Vila Nova de Cacela, da Casa Folque, em Vila Real de Santo António (já demolida) e de um pormenor das varandas de um dos edifícios que Gomes da Costa projectou.

«Haverá ainda uma maqueta da creche de Aljezur, mas feita conforme o projecto original, porque, quando foi construída, não foi feita na totalidade. E agora está abandonada», lamentou Gonçalo Vargas.

E assim são retratadas três dimensões: a obra que nunca chegou a ser construída, a que foi feita, bem como a que já foi demolida.

Gonçalo Vargas contou que há muitas histórias no decorrer dos três anos em que organizou a exposição.

«Uma delas foi o Duarte Infante, dono da Papelaria Silva em Faro, me ter vindo dizer que tinha guardado desenhos do Gomes da Costa, alguns datados de 1954. É que o arquitecto, enquanto esperava pelos livros, ia desenhando ao balcão. São autênticas relíquias».

Estas e outras relíquias estarão expostas até 24 de Novembro, enquanto decorrem actividades paralelas como conferências, tertúlias e visitas a obras de Gomes da Costa, em Faro. No Museu Municipal, será exibido um documentário sobra a vida e obra, contada na primeira pessoa.

Ao «barlavento», Manuel Gomes da Costa disse estar entusiasmado para ver o resultado final. É que, para o arquitecto, que já foi homenageado «com três menções honrosas, um prémio de autor com cheque e a medalha de ouro da cidade de Faro, tendo sido ainda nomeado membro honorário da Ordem dos Arquitectos, esta é a homenagem final da actividade profissional».

Veja as imagens de projectos de Gomes da Costa

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