Câmara de Olhão não desistiu de levar Caíque ao Brasil

A associação APOS não está contente com o andar do projecto da viagem da réplica do caíque «Bom Sucesso» ao Brasil. Câmara garante que está totalmente empenhada.

A Associação de Valorização do Património Cultural e Ambiental de Olhão (APOS) não acredita que ainda seja possível levar adiante o projecto da viagem da réplica do caíque «Bom Sucesso» ao Brasil.

Em causa está, alegam, a inércia e falta de interesse da Câmara de Olhão em todo o processo.

Já da parte da autarquia chega a garantia de que tudo está a ser feito para que a viagem se realize e que a comissão criada para impulsionar o projecto está a trabalhar nesse sentido.

Olhão celebra, durante o ano de 2008, a elevação a concelho, distinção que foi dada ao lugar com o mesmo nome no seguimento da resistência da população local às tropas napoleónicas nos princípios do século XIX.

A viagem em causa servirá para celebrar os 200 anos da ida de um grupo de marítimos olhanenses ao Brasil, num caíque chamado «Bom Sucesso», para avisar a Corte portuguesa, ali refugiada, de que o Algarve tinha sido liberto da ocupação francesa.

«O primeiro interessado em que esta viagem se realize sou eu, pois ficarei na história como o presidente da Câmara que promoveu esta nova aventura», revelou ao «barlavento» o presidente da Câmara de Olhão Francisco Leal.

A APOS teme precisamente o oposto. «Francisco Leal arrisca-se a ficar na história como o presidente que deixou passar esta oportunidade», disse ao «barlavento» o dirigente da associação olhanense António Paula Brito.

Numa missiva que enviou à redacção do «barlavento», o mesmo responsável adiantava que a APOS considera que «o projecto é actualmente impossível».

«Infelizmente, a desonestidade e a inércia dos políticos que actualmente lideram Olhão inviabilizaram esta oportunidade que, agora, só voltará daqui a 100 anos», lê-se no documento.

Francisco Leal não quis comentar as acusações da APOS, por as considerar sem qualquer fundamento e motivadas por interesse de «protagonismo». E reforçou que a única coisa que pode inviabilizar a realização da viagem é o seu elevado custo, que poderá ascender «aos 700 mil euros».

«Olhão não é um município rico. Se fosse, avançava sozinho e não havia qualquer problema», disse Francisco Leal.

Para fazer face a estes custos, a comissão está já a procurar patrocínios junto de entidades oficiais e de empresas. Francisco Leal disse que, entre elas, estão a Galp, a PT e outros grupo nacionais com interesses no Brasil que, apesar de terem mostrado abertura, ainda «não deram qualquer retorno».

«A Câmara também está em conversações com os Correios para tentar que seja emitido um selo sobre a viagem do caíque ao Brasil, há 200 anos. Isto porque o «Bom Sucesso» também foi um correio marítimo», revelou Francisco Leal.

«Há uma estratégia de longo prazo», no sentido de conseguir o financiamento, assegurou.

A angariação do dinheiro necessário terá de ser feita o mais rapidamente possível, para que esta viagem se possa realizar. Idealmente, a partida deveria ocorrer no dia 6 de Julho, o mesmo dia em que o «Bom Sucesso» original partiu de Olhão rumo ao Brasil, em 1808.

A APOS lamenta ainda que, apesar de ter sido esta associação quem apresentou a ideia à autarquia, não ter sido sequer mencionada no lançamento do programa das comemorações dos 200 anos de elevação de Olhão a concelho.

Segundo a associação, além de ter avançado com a proposta, terá encontrado os membros da marinha que agora fazem parte da comissão criada pela autarquia.

Também terá sido a associação a sugerir o nome de alguns dos potenciais patrocinadores. António Paula Brito diz ter documentação que apoia todas as suas afirmações.

Francisco Leal nega que a ideia seja da APOS. «Já quando mandámos construir a réplica do caíque, há mais de cinco anos, era nossa intenção promover, não só, viagens locais, como tentar repetir a viagem ao Brasil», garantiu.

Ainda assim, admite que foi contactado pela APOS, sobre o projecto da viagem. «Houve muitas pessoas que deram as suas sugestões, desde que se fala nisto. Achamos bem que isso aconteça. Mas sempre pusemos a hipótese de se realizar a viagem», reforçou.

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